É basicamente isto.

É basicamente isto.

28 de janeiro de 2014

A atracção dos Opostos. O Mito (?) Urbano.

Vamos falar de Amor? Ou de qualquer coisa muito parecida com ele?
 
Cresci a ouvir a frase "os opostos atraem-se". Durante muito tempo, demasiado tempo, acreditei nisto. Acreditei que fazia sentido, que estar com alguém parecido connosco seria a coisa mais enfadonha do Mundo. Que só alguém que nos complementasse, de alguma forma, com gostos e posturas distintas, nos preencheria. Entretanto uma pessoa cresce, conhece alguns opostos e, finalmente, mas não sem muitas cabeçadas à mistura, percebe que isto é um verdadeiro engodo. Ou melhor, mentira. Isto é verdade, mas, na prática, as consequências são idênticas às de um acidente de comboio. Quando nos dizem que os opostos se atraem, esquecem-se de completar a frase. Os opostos atraem-se, sim. Mas não funcionam juntos.
Todos nós temos um fascínio pela diferença. Por quem se comporta de forma distinta da nossa. Queremos observar, aproximar-nos, tentar perceber, queremos ser mais assim, queremos trazer um pouco dessa diferença para o nosso Mundo. Isto é natural. O Ser humano é curioso por natureza. O Ser Humano admira quem foge ao seu padrão. Até aqui tudo certo. E isto, ao início pode ser uma lufada de ar fresco irresistível. Pode mesmo ser afrodisíaco. Pode ser viciante. Os Mundos são tão distintos, que ambos querem ir buscar qualquer coisa ao lado de lá. E é possível viver assim, durante algum tempo. Nesta ilusão dos Mundo que se completam. Não interessa muito se querem as mesmas coisas, se têm as mesmas opiniões sobre assuntos que podem mostrar-se fundamentais, se os planos de futuro se cruzam. Tudo isso está bem arrumado num canto qualquer. Sabemos que lá está, mas não pensamos nisso, porque estamos ali perante a novidade. Perante alguém que não é nada como nós, que tem tanto - aparentemente - para nos ensinar. É. Mas depois o tempo passa. Depois o encantamento das diferenças, desvanece. depois, tudo aquilo que nos pareceu atractivo, parece um obstáculo. Vários. Afinal não gostamos das mesmas coisas. Não temos o mesmo entendimento sobre o casamento, ou filhos, ou a religião, ou a política, ou o que quer que seja que é importante para nós. Afinal, nem queremos fazer o mesmo tipo de viagens. A música que o outro gosta de ouvir, já nos soa a loiça a partir. Agora é que percebemos que o lado caseiro dele, outrora tão bem vindo, é aborrecido. E, agora, damos por nós a pensar que sorte seria conhecer alguém que fosse parecido connosco. Que isso não seria enfadonho, seria uma sorte.
 
Nem toda a gente concordará com este texto. Mas eu, aos 34 anos, não tenho dúvidas do seguinte : o oposto, comigo, não funciona. Não funcionou. Demasiadas vezes.

31 comentários:

  1. Sou muito diferente do meu rapaz e a verdade é que me apaixonei logo por ele... talvez o mito seja real.

    ResponderEliminar
  2. Eu acredito que duas pessoas diferentes se podem entender muito bem (estamos a falar sempre romanticamente), e que duas pessoas iguais não se aborrecem um ao outro. De qualquer das formas, acredito que não há ninguém completamente diferente de nós, nem completamente igual. E esse é o pormenor que faz com que ou dê muito certo ou dê muito errado.

    Falo por mim: completamente apaixonada por um homem tão igual a mim em muita coisa, e tão completamente diferente noutro tanto de coisas... Se corre bem? Well...... tem dias xD

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Torço por esses dias em que funciona melhor ;)

      Eliminar
  3. ... ui Amor. Esse bicho de 7 e mil e uma cabeças.
    Só um louco o entenderia :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem isso, que para louca não me falta tudo, e estou longe de entendê-lo!

      Eliminar
  4. É preciso saber compreender o outro, saber gostar dele com todos os defeitos que existem. Não sei dizer que o meu noivo é o meu oposto porque nos apaixonamos e conhecemos por uma mesma paixão, mas posso dizer que só com ele senti as borboletas a barriga e o tempo parar...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. defeitos todos temos, e ninguém, por mais parecido que seja connosco, virá sem eles. O oposto é que não dá mesmo para mim...pode ser alguém com os mesmos defeitos que eu :)

      Gosto tanto dessas borboletas!

      Eliminar
  5. Oposto, mas não demasiado oposto ;)

    Sónia
    Taras e Manias

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Precisamente de acordo! Convém haver alguma (embora que mínima) divergência, agora daí a ser totalmente oposto... mais tarde ou mais cedo, a corda cede...

      Eliminar
    2. Esse equilíbrio, que talvez fosse a situação perfeita, é que é tão difícil de encontrar...

      Eliminar
  6. Sim, acho que os opostos se atraem... mas a ultima vez que isso aconteceu comigo, deu m#rda.

    ResponderEliminar
  7. Uau!! Como tenho andado a pensar nisto ultimamente!! Até parece de propósito!! Ao ler este texto, dei por mim a rir-me (e o meu chefe a olhar para mim de lado) e a pensar no quão isto é mesmo verdade! Eu penso que somos todos viciados em adrenalina e gostamos de "dar mais um passo, só para ver onde é que vai dar"! Mas quando acaba a "trip" e começamos a ressacar, aí é que damos por nós a raciocinar e a ver que o ser oposto que nos atraiu afinal até nos repulsa!! E aí vamos nós outra vez á procura de outro oposto!! (entretanto já estamos viciados e a precisar de tratamento, mas dificilmente o admitimos)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em cheio. Andei nesse ciclo vicioso, mas acho que já o consegui quebrar. Boa sorte! :)

      Eliminar
  8. Concordo com o teu texto... demasiado oposto não. Claro que somos todos diferentes, ninguém é igual a ninguém. Mas têm de haver pontos de convergência, ideias e opiniões em comum, senão ao longo do tempo as diferenças acentuam-se e passamos só a ver as diferenças, aquelas que nos irritam cada vez mais com o passar do tempo. Só a paixão, as borboletas e o amar não chega. Tem de haver partilha e a partilha passa por fazermos coisas juntos, caminharmos juntos e estarmos ambos felizes nesse caminho e não apenas caminhar para fazer a vontade ao outro, porque assim matamos o amor.
    Falo por experiência própria... infelizmente...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "...ao longo do tempo as diferenças acentuam-se e passamos só a ver as diferenças, aquelas que nos irritam cada vez mais com o passar do tempo". É tão isto.

      Eliminar
  9. Por tudo o que referiste... Acho que os opostos se atraem... Mas isso não significa, necessariamente, que funcionem ou que funcione eternamente. O encanto pelo que é o oposto de nós pode sucumbir à teimosia de, por exemplo, mudanças que não se prentendem concretizar ou cedências que não se querem fazer... e refiro-me a ambas as partes...
    Perante a diversidade de pessoas, de formas de estar e ser... generalizar parece-me errado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há certamente quem consiga funcionar com um seu oposto, ou, melhor, com alguém com algumas diferenças mas não completamente oposto. Eu, por experiência própria, repito que tenho provas mais do que suficientes que preciso do meu eu masculino.

      Eliminar
  10. Convém que haja diferenças, para não morrermos de tédio, mas convém que em questões fracturantes pensemos da mesma maneira ou, não pensando da mesma maneira, saibamos exactamente o que podemos esperar, para que mais tarde não haja discussões, recriminações e culpas de parte a parte. Secretamente, reconheço que tenho queda para o abismo, que é como quem diz, para bad bad boys - o meu oposto. Mas felizmente também tenho noção de que seria incapaz de viver com um, por isso nem chego perto. (bom, na verdade, verdade mesmo, não chego perto porque estou muito bem servida com o que tenho, há mais de 8 anos), mas quando estava "livre e desimpedida", sei que os meus olhos batiam sempre num bad boy, mas no mesmo segundo que batiam, "desbatiam" logo. Só espero nunca perder esta capacidade de saber distinguir o que me apetece do que me convém.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Podias fazer sabes o quê? Ensinar-me a "desbater". Isso é que era.

      Mas a noção do que me convém, como dizes, está finalmente enraizada. No more bad boys ;)

      Eliminar
  11. Been there, done that. Explicaste tão, mas tão bem exactamente o que penso sobre este assunto. No início é absolutamente viciante. Depois é como embater numa parede, todos os dias. Tem de haver semelhanças senão é mesmo um desastre. No fundo tem de haver o equilíbrio entre as semelhanças e as diferenças. ..equilíbrio...como em tudo na vida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. bater numa parede, precisamente. E tentar perceber como raio é que aquilo nos pareceu tão certo em tempos...

      Eliminar
  12. Tenho 25 e digo também que não funciona mesmo.
    É como dizes, pode ser giro no início, mas depois vêm os problemas. Um a puxar por um lado, outro para o outro e as coisas acabam por terminar.
    Alguns dos objectivos têm que ser iguais, se não esquece.
    Ou então um dos dois vai ter que andar sempre a ceder... sempre!

    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tu sabes, minha Cláudia. E já percebi que estás bem entregue :)

      beijinho

      Eliminar
  13. Este assunto dava pano para mangas e poderia escrever um verdadeiro testamento sobre isto, porque conheço bem os dois lados da questão. Mas não me sinto verdadeiramente confortável para o fazer.

    Posso dizer apenas o seguinte: amei duas mulheres na vida (uma amo actualmente); uma era, como costumo dizer, "o meu eu no feminino", e a relação nunca foi monótona e até acabar foi regra geral bastante tranquila; a outra é muito diferente de mim em muita coisa, mais idêntica em tantas outras, a relação também nunca foi monótona mas também nunca foi muito tranquila - como ela diz ali em cima "Se corre bem? Well...... tem dias xD" :P

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Torço por esses dias em que funciona melhor ;)

      (já dei esta resposta aqui, não já?!)

      Eliminar
  14. Eu e o meu marido até que somos muito diferentes em muitas coisas, mas depois, naquilo que eu acho ser bastante (ou o mais) importante, somos muito parecidos: acreditamos nos mesmos valores, temos ideais políticos idênticos, temos objectivos idênticos, etc, etc. Ou seja, podemos ouvir músicas diferentes, mas no final queremos remar para o mesmo lado, o que é bom - não é perfeito, mas isso é que seria mesmo uma grande seca!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se funciona bem assim, é o que interessa :) Como costumo dizer, não é para todos. Nesta matérias, as pessoas têm necessidades muito diferentes no que diz respeito aos relacionamentos...

      Eliminar
  15. been there, done that... é muito bom no inicio.. muito mau depois, e acaba pessimamente!

    ResponderEliminar

Elaborai à vontade a tua teoria.

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.