É basicamente isto.

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19 de julho de 2013

Mostra-me a tua bagagem. E eu mostro-te a minha.

Ou vice-versa.

Conhecer pessoas novas é fácil. Conhecer pessoas que nos façam ter vontade de conhecer mais, é menos fácil. Conhecer alguém que retribua esta vontade e que nos vicie no seu ser, é o verdadeiro jackpot. Começar a analisar toda a bagagem que esse ser encerra em si, é fatal. Quase tão fatal como inevitável.

Teoricamente, e no mundo das probabilidades, sabemos que todos temos bagagem. Ela já não vai a lado nenhum. Todos nós guardamos e acumulamos coisas mais ou menos pesadas. Uns com a coragem de assumi-las, outros nem por isso. Na verdade, se todos fossemos brutalmente honestos sempre que nos damos a conhecer, acusaríamos, invariavelmente, excesso de peso. Isto parece-me pacífico. Porque é que, tendo isto como facto adquirido, tantas vezes analisamos a bagagem alheia até à exaustão? Retiramos conclusões, presumimos, julgamos. Estamos a ser honestos? Não receberíamos a mesma reação do lado de lá, se fossemos? Quem é que não tem esqueletos no armário? Quem é que não gostaria de apagar um qualquer capítulo da sua vida? Este julgamento gratuito tem consequências. As pessoas não se mostram como antes, não abrem o livro, não se revelam na totalidade. Falhamos muito, erramos ainda mais, mas quando alguém, cujo processo de conhecimento iniciámos há pouco, tem a frontalidade de abrir a mala e mostrar-nos o que carrega consigo, assustamo-nos e fugimos? Sim, porque a nossa mala está vazia. Não há lá nada para ninguém ver. Ou até há, mas está tudo organizado e perfeitamente arrumado, no sítio certo, numa perfeição inatacável. Porque é isto que queremos mostrar.

No que me diz respeito, não acredito em vidas muito certinhas. Em adultos sem esqueletos. Tenho alguns, tenho vários. E não estão trancados, mas também não estão à vista de quem não me dá o mesmo benefício da dúvida. A melhor coisa que me pode acontecer, é conhecer alguém que se revela sem pudores. Que sabe que tem bagagem porque está vivo e é humano. Que sabe que esta é a única forma sincera de conhecer alguém. Confio mais depressa nestas pessoas, do que naquela que me apresente uma "folha limpa". Percebo que é cada vez mais difícil mostrar quem somos, perante cada vez maior tendência para julgar os outros. Mas esta é a forma de estar que aceito. Não me pintem cenários cor-de-rosa. Eu não vou, certamente, pintá-los. Falta-me a paciência e a imaginação para criar uma personagem que não existe.

24 de junho de 2013

O Poliamor.

"...é a prática, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos..." segundo a definição contida na Wikipédia. Confesso que desconhecia a existência de palavra para este conceito. Nas últimas férias li um artigo sobre este assunto que achei deveras interessante. O assunto em si é, aliás, interessante. Fez-me avaliar a possibilidade de um dia me ver envolvida num relacionamento de poliamor. Se seria capaz, se seria feliz dessa forma.
Basicamente, estamos a falar de "casais" compostos por três elementos, com conhecimento e aceitação de todas as partes, que chegam, muitas vezes, a partilhar o mesmo tecto. O dia a dia é igual ao das restantes pessoas e casais, com algumas (!!) nuances que permitem que a convivência seja o mais saudável possível. Se é verdade que há dias em que jantam os três, também há aqueles em que um dos elementos fica de fora para permitir um jantar romântico aos outros dois. Se existe espaço para programas e conversas que envolvem todos os elementos, também existe espaço para programas a dois. Estamos a falar de relacionamentos que podem envolver duas mulheres e um homem, ou dois homens e uma mulher. Todos afirmam ser possível amar duas pessoas ao mesmo tempo. Não conseguem viver de forma realizada com uma, apenas. A mulher ama aqueles dois homens, e eles "sujeitam-se" a partilhá-la. O homem ama as duas mulheres com quem vive, e estas, por sua vez, aceitam o relacionamento que mantêm com ele de forma partilhada.
A questão de ser possível amar duas pessoas até é, para mim e hoje em dia, pacífica. Acho perfeitamente possível. Sei que a maioria das pessoas não concebe esta hipótese, mas quem já a viveu, como eu, sabe que sim, é possível. Por motivos diferentes, é possível amar duas pessoas completamente distintas em tudo : personalidades, vivências, estilos de vida. Mas o caso já muda de figura se me pergutam se, mesmo amando duas pessoas, conseguiria perspectivar uma vida a três. Aqui, e por muito que cada vez mais me custe dizer que "nunca" farei isto ou aquilo, "nunca" agirei desta ou daquela forma, consigo dizer que muito dificilmente me veria envolvida num relacionamento tipico do Poliamor. Nem como figura central, nem do lado de lá. Não critico quem o faça, até porque, aparentemente e à sua maneira, há quem consiga ser feliz assim. Mas não é vida para mim.
Há quem defenda que é para lá que os relacionamentos caminham. Que as relações a dois, tradicionais, estão condenadas. Cada vez mais. Apesar de não discordar desta visão, a avaliar pelos relacionamentos que vou conhecendo, se é para aqui que caminhamos nesta matéria, vou ficar para trás. Se num futuro próximo (enquanto cá ando) esta for a tendência, estou fora. Não contem comigo.

E vocês? Há alguém desse lado com perfil para o Poliamor?


19 de junho de 2013

Life's truly a bitch.

Às vezes olhamos para trás, e nem é preciso viajar muito no tempo, e percebemos que já nos queixámos de barriga cheia. Que estava tudo no sítio certo, mas a nossa vida parecia-nos contantemente uma casa desarrumada onde não encontrávamos as coisas que nos fazem falta. Isto tem acontecido comigo, mais do que seria de desejar. Se tenho defeito que se pode dizer bastante acentuado, é uma tendência enorme para a insatisfação. Não aquela que nos faz andar infelizes, mas aquela que sentimos quando, mesmo perante a quase perfeição, achamos que podiamos estar melhor. Porque queremos sempre mais, e melhor e podiamos estar onde não estamos e com quem não estamos e porque achamos, erradamente, que se acreditarmos que está tudo no sítio estaremos a acomodar-nos, e a pior coisa na vida é a acomodação. Reconheço, sem problema, esta tendência em mim, e a necessidade de alterá-la. Um dos objectivos a que me propus nos últimos tempos, é precisamente esse.
Esta noção já estava bem enraizada em mim mas, agora, numa fase em que, efectivamente, posso queixar-me de vários aspectos, quer ao nível pessoal quer a nível profissional da minha vida, parece-me ainda maior o erro em que tantas vezes caí ao achar que precisava de mais qualquer coisa. Agora sim, fazem-me falta coisas que não estou a conseguir atingir. Que já tive, que já correram melhor. É um bocadinho aquele velho cliché que diz que só damos valor ao que não temos, mas é bem verdade. Estamos todos carecas de saber isto, mas qual de nós não cai neste erro de vez em quando? É tão fácil, tão simples, tão tentador. Tudo corre bem, mas queremos mais. Não percebemos que chega perfeitamente. Esquecemo-nos que nem sempre foi assim, e que um dia não será. E, agora, numa fase menos boa, numa fase em que, de facto, há que lutar por uma série de coisas e combater uma insatisfação justificada, apetece-me rir de mim mesma enquanto vou dizendo "é para aprenderes". Por sorte, estamos sempre a aprender. Ou quero acreditar nisso. Sempre a crescer e a tempo de alterar o que está menos bem na nossa personalidade. E, mesmo com todos os defeitos que encerro em mim, se há coisa que faço como ninguém, é assumir os meus erros e a minha imperfeição quando tem de ser. Só por isso, acredito que vou a tempo.

4 de junho de 2013

Assim vão as coisas na Ordem dos Advogados.

Um grupo de advogados estagiários terá interposto uma Providência Cautelar com vista a acabar com a exigência da realização de provas no âmbito do estágio, e com o seu necessário resultado positivo, para poder ver o seu nome inscrito na Ordem dos Advogados (fora o exame final de admissão).

Foi dado deferimento à Providência Cautelar, e, consequentemente, ordenada a suspensão da realização das provas. Aparentemente, uma "nova" Lei admite, no máximo, um exame de agregação no final do estágio.


Agora aparece Marinho Pinto, que uma vezes defendo, outras acho que viola tudo o que é princípio Deontológico, a dizer que as provas são para realizar porque a decisão só se aplica aos autores da providência cautelar? É assim que vai a Ordem dos Advogados, actualmente.

Honestamente, não recordo os tempos de estágio com qualquer tipo de saudade. A morosidade, a complexidade, a falta de condições práticas para cumprir todos os requisitos sem os quais nem nos poderíamos submeter a exame, o carácter gratuito do estágio. E recordo-me bem da sensação de "tudo por tudo" que se sentia no momento de realização destes exames. Imagino o que seja estar no meio desta confusão, com toda esta incerteza, e com a noção que estão em causa anos de trabalho, trabalho que é árduo. A minha solidariedade para todos os estagiários envolvidos neste processo infeliz.

29 de maio de 2013

Disso do horário da Função Pública.

O Governo pretende alargar o horário da Função Pública, das 35 para as 40 horas semanais. É bom de ver que já está o caos instalado. Está ainda mais instalado uma vez que não está prevista qualquer actualização salarial proporcional ao acréscimo de horas. Vamos por partes.
Se concordo com o aumento de horas? Concordo, pois. No Privado esta é a tendência que predomina. E agora vocês dizem-me que só falo assim porque trabalho no Privado. Errado. Se trabalhasse no Público, por muito que me custasse vergar a mola mais 5 horas semanais, teria de entender que há que aproximar os direitos e deveres de todos os trabalhadores o máximo possível. Não se trata de qualquer tipo de guerra entre privado e público. Não se trata de não ter noção que já existem funcionários a trabalhar estas horas e até muitas mais, sem receber mais um cêntimo por isso. Mas depois existem os outros, os que não produzem, os que não trabalham um minuto a mais. E isto existe quer no privado quer no público.
Se concordo que não exista compensação? Não, não concordo. Ao acréscimo de trabalho, deveria sempre corresponder um acréscimo salarial, num plano ideal, num ideal de justiça. Mas isto não é apenas problema do sector Público. Também no Privado, já há muito e de forma mais ou menos generalizada, o aumento de trabalho não corresponde ao aumento salarial.
Se acredito que a produtividade aumente? Dificilmente. Existirão três atitudes perante esta medida : o FP que aproveitará mais uma hora diária para colocar o seu trabalho em dia, porque tem brio profissonal (este é aquele que, desde sempre, mais produzia mesmo antes da medida); o FP que não produzia em 7 horas e muito menos produzirá em 8 horas, porque não trabalha para o que lhe pagam quanto mais de borla; e o FP que até ia produzindo de forma razoável, mas que ficará revoltado com a medida e acabará por aproveitar para descansar nesta hora "extra".


Não vou aqui entrar no campo da discussão das regalias, e de quem as tem em maior número. A verdade é apenas uma : a "todos" será exigido que se trabalhe mais e receba cada vez menos. Isto parece-me incontestável.

O ideal? O ideal seria encontrar dentro de cada Ministério, cada Instituto, cada organismo público, as cigarras. As maçãs podres. Actuar em relação a estas pessoas e contratar gente com vontade e necessidade de trabalhar. E qualificada. Isto sim. Mas não só no Sector Público. Também o Privado precisa de ser arrumado, limpo. Anda muito boa gente a roçar-se pelos corredores, e isto é transversal aos dois Sectores. Fala-se muito em aumentar a produtividade, mas a verdade é apenas uma : há muita gente com emprego que não quer trabalhar. Que está a ocupar o lugar de gente que,  não só precisa, como tem vontade de trabalhar. E isto não é assim tão difícil de identificar. Acabe-se com a mama.

21 de maio de 2013

As despedidas de solteira/o.

Em breve, vou participar de mais uma destas festas de despedida do solteirismo. Seja lá o que for que isso quer dizer para quem, apesar de ainda não casado, tem um compromisso sério com outra pessoa. Adiante. Não sou uma cinzentona que vai agora escrever, sabe-se lá quantas linhas, a maldizer estas despedidas. Nada disso. Adoro uma boa festa e todos os motivos são bem vindos.
O que me parece deveras deprimente, é a forma como, na sua maioria, estas festas se processam. Vejamos:
 
Despedida de Solteira
 
Juntam-se todas as amigas da noiva num qualquer restaurante e/ou bar, esgotam o stock de álcool, guincham umas mais alto do que as outras, metem-se com os homens das mesas ao lado, gritam alto e bom som (não fosse alguém ainda não ter percebido) que a Joaquina vai casar e que é a última oportunidade para todos os outros homens à face da Terra e, nalguns casos, contratam um stripper. Enquanto isto, a noiva, que já nem consegue dizer o nome completo, tem um objecto fálico na cabeça, enquanto parte um bolo que tem um objecto fálico em cima e bebe as bebidas a partir de uma palhinha que tem um objecto fálico. A coitada ri, chora, ri, chora, ri, chora, não sabe se deve casar, quer é ligar ao noivo e dizer o quanto gosta dele, ou o quanto afinal não gosta. Acaba a noite com uma das poucas amigas que conseguiu manter-se sóbria, a agarrar-lhe no cabelo enquanto vomita num qualquer WC público. Vai ter uma ressaca que é coisa para durar uma semaninha, assim por baixo.
 
Despedida de Solteiro
 
Tem que ter stripper. E álcool, claro, mas um grupo de amigos que não contrate uma stripper para o noivo , ou que não o leve a uma casa de strip, não é um grupo de amigos. E noivo que não alinhe na brincadeira, é um perfeito maricas. Ou pior. A tipa já o prendeu pelos ditos e já o castrou. É ela que veste as calças lá em casa.
 
 
Se um dia eu casar ( e escrevo isto enquanto abano a cabeça da esquerda para a direita, e da direita para a esquerda), por favor, minhas amigas, fixem isto: quero que me levem dois dias para um sítio que tenha calor, boa comida (em quantidade generosa) e boa bebida (q.b.). Só preciso disto e de vocês.

19 de maio de 2013

Vamos falar de Futebol?

Aposto, mas aposto mesmo duas madeixas, que pensam que vou fazer alguma piada acutilante sobre o slb e/ou a arbitragem do jogo do fcp. Não, meu caros, não. Tenho muitas e variadas, mas essas ficaram guardadas para quem tem o (des)prazer de me ter na lista de contactos.
A época acabou. Já posso respirar, e dizer, mais uma vez, que foi a época em que mais sofri. Sofrimento só comparável com aquela semana fatídica de 2005. Ser Sportinguista foi muito complicado esta temporada, foi de apertar o coração, foi ainda mais difícil do que já sabemos à partida que vai ser, à falta de jeito juntou-se uma falta de sorte ainda maior, foi um corrupio de treinadores, tivemos o nosso Vale e Azevedo e agora temos o todo charmoso Bruno Carvalho, perdi a quantidade de palavrões que disse, de insultos que proferi contra os jogadores, a quantidade de unhas roídas. Cabelos brancos sei bem quantos são, esses estão cá e já não vão a lado nenhum,
Ao contrário do que tantos profetizavam, o SCP não acabou enquanto clube de futebol, não desceu de divisão, não ficou em 10ª, não ficou sequer em 7.º Conseguimos um suado 6.º lugar, e uma última exibição de encher o olho, que nos leva a pensar que devia ter sido assim toda a temporada.
Por fim, há que agradecer ao JF o final de época que fez no Sporting, e dar as boas vindas ao Leonardo Jardim. Se esta troca me agrada? Honestamente, não sei. Sei que é o nosso novo treinador, e que, nem que fosse só por isso, já mora cá dentro. Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, é o que exijo que traga. E a estrelinha de Campeão, já agora.
 
 

17 de maio de 2013

Disso da Co-Adopção.

Já me tinha despedido do blogger por hoje, mas estava aqui com os dedos a puxar por mim, a pensar neste assunto. A travar, também, uma luta interior com os argumentos contra e a favor. Nunca fui contra a homossexualidade, ou, melhor dito, a favor de qualquer tipo de discriminação em função da escolha sexual de cada um. Honestamente, é-me completamente indiferente. Homens, mulheres, hermafroditas, é o que quiserem. Respeito a escolha de cada um, e, honestamente, nem vejo porque motivo me deveria sequer incomodar. A mim e a todos. Não está provado que é coisa que se pegue com a convivência, o que sempre me levou a perguntar qual será o problema das pessoas em aceitar a escolha de cada um? Não fizeram a sua própria escolha? Adiante. Como será bom de entender, pela lógica, também nunca fui contra o casamento entre Homossexuais. Porque raio seria? Em que é que isso me afecta? A mim ou a qualquer outra pessoa? Há espaço para todos, e, felizmente, se a Joaquina decidir enrolar-se com a Francelina, eu não sou obrigada a enrolar-me com a Bernardete. 
O problema, a contradição, surge quando estamos a falar da Adopção. Aqui sim, já tive sentimentos contraditórios. Se por um lado sempre fui contra, em absoluto, qualquer tipo de discriminação, confesso que por algum tempo,achei que aqui nem estaríamos perante um acto discriminatório. Uma criança deve ser criada por uma Mulher e um Homem, com todas as diferenças que isso acarreta. Com todos os ensinamentos e orientações distintos que isso implica, e que serão absolutamente necessários. Mas depois surgia a eterna questão : há casais hétero que têm tanto para ensinar, ou dar, como teria uma pedra da calçada. Há pessoas que, independentemente do género, deviam ser absolutamente proibidas de criar uma criança. Contrariamente, haverão, certamente, casais homossexuais que terão mais para oferecer, a todos os níveis, do que muitos casais hétero. Com o passar do tempo, e de reflexão em reflexão, tenho chegado à conclusão que a adopção não deve ser vista desta perspectiva. O que deve ser tido em conta é se, do outro lado, estão dois seres humanos com capacidade para amar, cuidar, educar, criar, proteger, orientar uma criança. Independentemente do género. Todas as crianças merecem um Lar. Parece-me que ninguém negará que isto é a mais pura das verdades. E se é assim, porquê nega-lo com base no género de quem adopta? Parece-me, por muito que se diga que não, que esta questão vive, ainda e apenas, do puro preconceito. O que me aborrece e me envergonha, porque se há coisa que me custa é viver num País onde é preciso encontrar o preconceito ao virar de cada esquina, onde as pessoas são julgadas, e tratadas como inferiores, face a escolhas perfeitamente legítimas.
O passo dado hoje, com a aprovação do projecto de Lei da co-adopção, parece-me um passo gigante no caminho para a aprovação da Adopção pura por parte dos casais Homossexuais. Posso estar enganada, ou a ser ingenuamente optimista, mas acho que se abriu uma enorme janela. Do chão ao tecto. Isabel Moreira, autora do projecto de Lei, terá chorado no momento da aprovação. E esta é uma emoção que percebo em toda a sua plenitude. É uma luta ganha, na batalha ainda por travar.

13 de maio de 2013

Sai uma vida nova, sff.

Honestamente, não sei se este post fará algum sentido. Mas nas últimas 48h, eu própria faço pouco. Gosto da minha vida, tal como é. Gosto da minha vida com as pessoas que fazem parte dela, com o meu núcleo duro e com algumas surpresas que vão aparecendo pelo caminho. Gosto do meu País, da Cidade onde vivo, das minhas rotinas. Gosto da minha vida, a sério que sim. Com dias que podiam durar uma vida de tão bons que são, e com outros em que cada segundo pesa em cada ombro. Não digo que não me falta nada, nem alguém, mas sinto-me bem com aquilo que tenho. Se há uns anos tinha dificuldade em dizer que era uma pessoa feliz, hoje não tenho dúvidas. Sou. Ainda assim, nas últimas horas, nos últimos dois dias, tive certeza que preciso de mudar de ares. Preciso, mesmo e muito, de viver uns tempos noutro local, ainda que não além fronteiras. Preciso de conhecer outras pessoas, mas com a certeza que as minhas se manteriam no mesmo lugar e à minha espera. Preciso de, temporariamente, sair das minhas rotinas e fazer tudo diferente. De não frequentar os mesmos sítios, de não me cruzar com as pessoas do costume. Preciso de exorcizar fantasmas e demónios, e a tropeçar neles a tarefa é mais complicada. Pela primeira vez na vida, era menina para largar tudo e ir um ano para qualquer sítio que desconheço, viver uma realidade que não tenho como minha. E aposto que, pela primeira vez na vida, isso não me assustaria. Preciso de tirar uma espécie de licença da vida que tenho, mas mantê-la porque quero regressar a ela.
Repito, vezes sem conta que preciso. E preciso. Mas falta-me coragem. Ainda não será desta. Por enquanto, tenho de aprender a exorcizar por cá. Eu bem olho para o pulso e leio, diariamente, o "Let it be". Mas agora, precisava de ir. Talvez um dia.

5 de maio de 2013

Isto da idade tem muito que se lhe diga.

Uma pessoa sabe que está a ficar velha, porque tem noção que completa 34 Primaveras dentro de menos de 48 horas. Mas ainda que não soubesse, ainda que o calendário a deixasse esquecer, uma pessoa tem a certeza que a idade está a ganhar quando tenta fazer um fim de semana cheio, daqueles de só parar para dormir qualquer coisa, e chega a domingo à noite com a sensação de ter sido atropelada por qualquer coisa não menos pesada do que uma manada. Uma pessoa pensa que faz uma noitada na sexta-feira, e que consegue fazer o mesmo no sábado. Pensa que consegue manter as actividades
programadas para durante o dia, e estar fresca que nem uma alface. Pois, meus caros, isto já não é assim tão possível. Uma pessoa, que  que não consegue adormecer com qualquer tipo de barulho e/ou claridade, adormece no banco de trás do carro numa viagem às 18h. Como se fosse uma criança. Uma pessoa faz os possíveis para não sentir a idade passar, ignora o calendário, mantém o ritmo que tinha na adolescência, mas acaba por levar com a realidade em cheio na cabeça : o passar dos anos é f*****. Lixado, portanto. Essa pessoa pode, ou não, ser a Autora.
 
Mesmo assim, ainda houve energia para isto. Porque a Mãe T. merece.
 
 
 

30 de abril de 2013

A profissão mais velha do Mundo.

Tenho plena noção do quão sensível este assunto pode ser de abordar. Tenho, até, algum receio de partilhar a minha opinião sobre ele. Não por querer agradar a gregos e troianos, que não ando cá para isso, mas por ter receio de ser injusta de alguma forma.
A minha opinião sobre a Prostituição é quase extremista, a roçar o fundamentalismo. Tenho enormes dificuldades em entender que exista algum tipo de desespero suficiente para fazer uma mulher (vou só referir-me às mulheres, que são quem compõe a maioria deste mercado) enveredar por esta via. Por outro lado, também não consigo conceber que alguém faça deste o seu modo de vida, sem ser por absoluta necessidade. Talvez por ser mulher, tenha tantas dificuldades em conceber esta Profissão. Não tenho a menor dúvida que não existem empregos ao virar da esquina. Estou perfeitamente a par da realidade do País. Também não sou uma lírica que julga que um dia a prostituição desaparecerá. Mas que gostava, lá isso gostava.
Tive oportunidade de conhecer o Red District, ou o Bairro da Luz Vermelha, em Amesterdão. Sabia mais ou menos ao que ia, mas, ainda assim, tinha curiosidade em ver com os meus olhos esta realidade, confesso. Esta "visita" obrigou-me a pensar novamente naquela que é chamada de mais velha profissão do mundo, e nas mulheres que dela vivem. No que as levou a este caminho, nas condições em que o fazem. Hoje, se soubesse a diferença que faz ver umas fotografias ou estar ali, a cêntimetros daquelas montras, não quereria conhecer este bairro. Posso atestar, sem qualquer tipo de exagero, que fiquei nauseada. Ver mulheres, das mais variadas idades (estão lá miúdas com uma vida pela frente, e mulheres que já podem ser avós), de soutien e fio dental, em montras, como se de qualquer outro produto para consumo se tratasse, com pequenas camas ao lado, deu cabo deste estômago. Soubesse eu que o efeito em mim seria aquele, e teria deixado a curiosidade por matar.
Quem me acompanhava perguntou-me se não acho que é pior o que se passa em Portugal. Se não acho pior ver estas mulheres à beira da estrada, sem quaisquer condições. Honestamente? Não sei. A certeza de estar ali um produto, um bem em exposição (com a sua intimidade literalmente exposta a todo o tipo de olhares), é demasiado liberalismo (ou chamem-lhe o que quiserem) para a minha cabeça. Costumo dizer que todas as profissões são dignas, mas, e sem querer ferir susceptibilidades e na certeza que estou a falar de vidas e pessoas que desconheço, não consigo encontrar ali dignidade. Consigo entender que seja desejável que exerçam esta "actividade" com condições que em Portugal não têm. Mas colocá-las em montras? Permitir isto? Não consigo encaixar esta mentalidade.

23 de abril de 2013

Eu tento ser uma pessoa melhor.

A sério que tento. É capaz de ser disto da idade. Uma pessoa cresce, mesmo. Um dia acorda e é adulta, responsável pelas suas acções. Já não dá para disfarçar. E as coisas começam a ter um peso que não tinham há uns anos. Começa a olhar à volta e a pensar que meio mundo não presta (e estou a ser meiga). Não quer reparar no pior das pessoas, mas já não consegue evitar. Já não apetece olhar para o lado e assobiar.
Sobretudo este Ano, que decidi que tenho de limar várias arestas, e ser uma pessoa mais tolerante, tenho tentado. Sabe quem me é próximo, que não sou perfeita. Estou aqui carregadinha de defeitos. Consigo ser a pessoa mais teimosa e mais intolerante que conheço. Não sou orgulhosa, mas quando atinjo o limite, dificilmente há retorno. Tenho uma capacidade imensa para excluir da minha vida, de uma só vez, a frio, quem já esgotou comigo a quota de oportunidades que lhe estava destinada. A minha Mãe diz, desde cedo, que consigo ser a pessoa mais fria que conhece. Puro gelo, se quiser. Talvez seja verdade. Seja como for, os defeitos estão cá, e nunca me achei melhor do que ninguém. Ainda assim, há uma característica comum a tanta e tanta gente, que é capaz de me fazer perder por completo as estribeiras: quem não conhece alguém que não consegue assumir os erros que comete?  Que não quer arcar com as consequências? Que teima em não crescer? Quem é que não conhece alguém que empurra os seus erros para qualquer lado, que se vira do avesso para "sacudir a água do capote", que não tem brio, que não tem pudor em deturpar factos? Tenho tolerância zero para os troca tintas. Para a irresponsabilidade. ZERO. Gente que se queixa de tudo e de todos, quando são os únicos culpados e responsáveis pelo que corre mal? É gente que me tira do sério, da qual quero distância, a máxima possível. Tenho os meus defeitos, mas se há coisa com que podem contar de mim, é com seriedade. É com actos ponderados, e com o assumir de culpas quando assim tiver de ser. É com a humildade de saber que também falho, e que não há que ter vergonha nisso. É com querer fazer sempre melhor, e dar tudo por tudo em qualquer coisa que assuma fazer. É em honrar compromissos.
 
O que é verdadeiramente importante para mim, e isto aplica-se a qualquer dia do ano, é poder deitar a cabeça naquela almofada maravilhosa, e saber que fiz o que me compete. Mas mais ainda do que isso, é saber que não passei por cima de ninguém, que assumi os meus actos, que sou responsável pelas minhas acções. Pode estar tudo o resto errado, pode tudo correr mal, mas comigo mesma preciso de estar bem. E o meu sonho, o meu verdadeiro sonho, é não ter que lidar com gente que não sabe o que isto é. Gente para quem isto é apenas um lirismo dos outros. Gente a quem podia perguntar como é que adormecem à noite, e que sei que responderiam "Virado para a esquerda. Ou de barriga para baixo, é conforme".

17 de abril de 2013

Eu sei que o Amor existe.

Apesar de me considerar uma pessoa sensível, até mesmo a roçar a lamechas de quando em vez, não tenho por hábito falar deste assunto. Disfarço bem portanto, digamos assim. Vamos ver, então, se consigo explicar um dos meus pontos de vista sobre este tema tão vasto.
Acredito no Amor. Não só no seu poder, na sua grandeza, mas também na sua existência. Acredito no Amor que resulta das Amizades e dos laços de Família. Acredito até no Amor de um homem por uma mulher e vice-versa. No Amor romântico, chamemos-lhe assim. Mas não acredito que exista em quantidades tão elevadas como parece. Acredito até que seja raro, e imensamente difícil de encontrar.
Já gostei de várias pessoas, gostar é simples. É fácil. Basta-nos algumas afinidades, algumas coisas em comum, atracção física e psíquica e, voilá, gostamos. Queremos passar tempo, queremos estar perto, sentimo-nos bem na companhia um do outro. Está tudo certo, no sítio onde deveria estar. Mas Amar? Amar não é isto. É muito mais do que isto. É, com o tempo, conhecer os defeitos, as coisas que nos enlouquecem, o menos positivo, as fragilidades e fraquezas, os segredos, os handicaps e, ainda assim, querer ficar por perto. Dia após dia, mês após mês, ano após ano, e ter certeza que estamos no sítio certo. É querer sempre conhecer mais, partilhar mais, viver mais. É uma admiração constante pelo outro, orgulho na pessoa que é, mesmo com os defeitos que já encontrámos. Gostar não tem a mesma força, o mesmo poder. Gostar é tão fácil.
Amar é raro. É raríssimo, se me permitem. Não tenho dúvidas que as pessoas que estão juntas, na sua maioria, gostam umas das outras. Gostam muito, até, talvez. Mas não sei quantas amarão de facto a pessoa com quem estão. Estão porque há o hábito, há amizade, há pontos em comum, há a companhia. Há o gostar. E isso vai chegando...
Se me perguntarem, terei amado duas pessoas apenas até hoje. E talvez esta noção que tenho entre o que é gostar e o que é amar, noção que nem sempre tive, explique o facto de não ter companheiro neste momento. Os meus namoros de adolescência, foram longos. Daqueles que levam a nossa família a achar que vem para aí casamento. Depois, e à medida que o tempo passou e que os anos passaram com ele, esta diferença começou a ter consequências. Rapidamente percebo se gosto apenas ou se há ali Amor. Rapidamente percebo se devo apostar ou não. E, infelizmente, Amor não é sentimento que veja em abundância por aí. Vejo algum, claro que sim. Fico verdadeiramente espantada quando percebo que duas conseguiram encontrar-se nesta loucura de Mundo, e amar-se à séria. Mas vejo mais pessoas que gostam. Que se gostam. E, para mim que já me conheço, gostar nunca será o suficiente.
Eu sei que o Amor existe, mas não está aí ao virar de cada esquina. O Amor é raro. Se já o encontraram, sabem do que falo.

16 de abril de 2013

A saga do aparelho nos dentes.

A saga continua, pois está claro. Ontem foi dia de consulta mensal de manutenção ( ou dia de apertão, como lhe chamo). Para quem não sabe o que isto é, todos os meses é preciso sentar o rabo naquela cadeira para todo o aparelho voltar a ser ajustado de forma a exercer a pressão que é suposto exercer, e que se vai perdendo ao longo do mês. Depois disto, é aguentar 4/5 dias de dores mais ou menos ensandecedoras, conforme a pressão imposta pelo dentista. Comer é difícil, mas ainda não inventaram aparelho no Mundo que me impeça. Era a primeira bola a sair do saco.
Lá fui eu,  2 anos e meio depois do início desta aventura, determinada a não sair de lá sem a garantia que esta já é das últimas consultas mensais. Finda a consulta, faço a pergunta para um milhão de Euros : "Dra, quando é que podemos acabar com esta relação que tanto faz sofrer uma das partes?" (não foi assim, mas vocês percebem a ideia). E aqui juro que me deu jeito não me ter levantado ainda. A resposta foi "Ahh, mais uns 4 meses, pelo menos". Fiquei pasma a olhar para aquela mulher. Eu tenho tido imensa paciência, mas, por algum motivo, agora já na recta final, estou para lá de impaciente e completamente farta deste ferro todo. Como é que é possível? Há meses, longos meses, que olho para os dentes e vejo tudo certinho. Tudo no lugar, direito. Perfeito. Podia até ser impressão minha, e estar a projectar o futuro, mas não. As pessoas dizem-me o mesmo. Lá perguntei o que falta afinal acontecer mais, e foi-me explicado que falta qualquer coisa que entretanto não registei, porque a explicação foi demasiado técnica. A meio, acho que desisti de perceber. Ela é a dentista. O que é que eu vou fazer? Chegar a casa e arrancar isto com um alicate? Já pensei nisso, uma vez. Tinha tantas dores, que acho que passei à fase em que deixamos de raciocinar, e felizmente, sou moça que não tem caixa de ferramentas em casa. Não sei o que poderia ter acontecido naquele dia.

Temos, portanto, mais 4 meses desta vida. Ok, aceito. Q-U-A-T-R-O  M-E-S-E-S. Nem um dia mais, ou juro que um de vocês vai emprestar-me um alicate.
PS-E é bom que fique com um sorriso perfeito e lindo de morrer. É bom que o meu sorriso, por si só, os faça tombar e cair aos meus pés.

15 de abril de 2013

A minha Margem Sul.

Ou a Margem certa, como carinhosamente lhe chamo. Já aqui devia ter falado sobre aquela que é a minha casa há quase 34 anos. É uma injustiça e uma valente ingratidão ainda não o ter feito. Esta moça vive na Margem Sul do Tejo desde que nasceu. No dia em que reuni condições para abandonar a casa dos Pais, não tive a menor dúvida : queria continuar a viver na minha Margem, naquela onde o ar sempre se respirou melhor, naquela que me viu crescer, que tem algumas das melhores praias do País( e, na minha opinião, as melhores da zona da grande Lisboa), aquela onde tudo está mais próximo, onde a vida ainda é mais calma do que na grande Cidade. Não trocava esta Margem por nada. Não me imaginava, nem imagino, a viver noutro sítio. É por cá que gosto de estar, sou aquilo a que se pode chamar filha da terra. E fiel.
Explicada que ficou esta Paixão, devo dizer que uma das coisas que mais me aborrece, é a rivalidade entre a Margem Sul e a Margem Norte do Tejo. Não quero comparar dimensões, recursos, variedade cultural ou populacional. O que não me agrada é o desdém que tantas vezes é demostrado pela Margem Sul. Os ares de superioridade em relação a esta Margem. Isto é coisa capaz de me atirar para uma discussão acesa, em defesa da minha menina. Esta Margem tem muito valor. Tem coisas boas e más, como qualquer sítio. Tem as suas vantagens e desvantagens. Zonas problemáticas e zonas fantásticas. Tocam-me nos botões completamente errados, frases como "Margem Sul? Credo!!", "Passar a ponte?? Para quê??". Se perguntar, a 10 pessoas com quem tenha esta troca de ideias, há quantos anos não metem pés na Margem Sul, pelo menos 7 vão responder-me que há muitos. Não tenho dúvidas que se trata de preconceito de quem, na maioria das vezes, nem sabe do que está a falar. Quem conhece tanto da Margem Sul, como eu de Florença (com muita pena minha, já agora.). Temos depois um outro grupo de pessoas, ainda mais engraçado : aquelas que dizem mal, que torcem o nariz, mas que, aparecendo raio de sol ou fim de semana de calor, passam a ponte para invadir a nossa Margem. Isto dá-me um certo gozo. Oiço pouquíssimas pessoas da Margem Norte a elogiar a Margem Sul. Mas quando aparece o Sol, quando chega o calor, a pergunta que faço é : quem serão estas multidões que fazem fila para cá chegar? De onde vêm afinal? E se isto é tão mau, o que é que as leva a enfrentar filas de duas, e mais horas de trânsito?
O falso elitismo é a única coisa que me causa mais asco do que o elitismo puro e duro. Sabeis o que vos digo, pessoas desta estirpe? Ide banhar-vos nas praias de Carcavelos. Ide.
Todos os outros que não sofrem deste pedantismo, são bem vindos. Se precisarem de conselhos sábios sobre sítios a frequentar, sobre os nossos segredos melhor guardados, é chamar por mim. Eu ajudo.

9 de abril de 2013

Não estou a desejar mal a ninguém, mas...

...honestamente, e por muito que me custe dizer isto, constato que os Portugueses que assistem aos comentários do desgraçado do Sócrates no seu novo espaço semanal, têm o País que merecem. Só tenho pena que todos apanhemos por tabela.

E não, não me esqueci que não é o único culpado. Não me esqueci que são todos iguais ou muitos parecidos e que só muda o cheiro. Mas, e por muito que respeite a liberdade de cada um fazer, ver e ouvir o que bem entender, viver num País em que não sei quantos milhares de pessoas "bebem" as palavras deste homem que já tanto as enganou, causa-me "alguma" vergonha. Ainda assistiremos ao dia em que este homem passará a mártir.



5 de abril de 2013

Provérbios contraditórios.

Sou uma apaixonada pela sabedoria popular, e adoro um bom provérbio. No entanto, e por motivos que neste momento não há necessidade de esmiuçar, deparo-me com a eterna luta entre dois dos nossos mais famosos provérbios. Afinal, como é ? "Quem espera sempre alcança"? ou "Quem espera desespera"? Ou ambos? Na minha modesta, mas sempre partilhada opinião, cada um deve fazer o seu sentido consoante o nosso estado de espirito. Ainda assim, não deixa de ser confuso. Tenho dias. E tenho dias até, em que tenho momentos. Não gosto de esperar, assumo que não. Mas, nos meus bons momentos, acredito que a espera recompensa. Nos outros, canso-me e desespero. E assim sucessivamente. Ora quero o que quero para ontem e cada segundo é uma eternidade, ora aguardo com serenidade e acredito na recompensa.

Vou acabar o post a concluir, com enorme e surpreendente pensamento positivo, pouco ao meu estilo, que "quem espera sempre alcança". E se isto não se concretizar, terei pelo menos certeza, como se não tivesse já hoje em dia, que a vida é uma sacana muito injusta.

3 de abril de 2013

E o medo que eu tenho das trevas?

Já todos percebemos, por esta altura, que há uma nuvem negra e enorme, carregada de tudo o que é mau, a pairar sobre este País. Já cá anda há algum tempo, mas esta semana, ou eu estou doida, ou a nuvem está mais carregada, mais negra e prontissima a desabar nas nossas cabeças.

Podia estar só a falar daquela que me valeu a molha da minha vida esta manhã, ou dos trovões desta noite, mas não. Há coisas que me assustam bem mais do que estas duas. Por muito que ande na ponta da madeixa com este tempo que nos faz quase esquecer que vivemos num País em que o clima até é das boas coisas que temos, esta semana isso não me afecta tanto. Esta semana, ao que tudo indica, teremos a pronúncia do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento de Estado. Depois do tempo - absolutamente rídiculo, como se estivesse em causa uma decisão sobre a cor a usar na próxima estação - que esta decisão está a demorar a ser tomada, quer parecer-me que quase ainda vamos desejar que este assunto ficasse esquecido. Acho que a maioria de nós ainda nem se capacitou do problema que aí vem, se, ao que tudo indica, algumas normas forem chumbadas. A coisa está negra, claro que está, e este Orçamento arrasou com os Portugueses. Mas se há altura em que a Lei de Murphy se poderá aplicar em toda a sua plenitude, é esta. É que, não duvidemos por um só minuto, as coisas podem piorar. Por incrível que pareça, podem piorar e muito.

Aguardo, com um receio que dava tudo para não ter, os próximos capítulos desta longa- metragem.


2 de abril de 2013

Let's talk about Sex, Baby.

Vou armar-me um bocadinho em Marta Crawford, pode ser? Este post está vedado a menores de 18 anos. A partir desta linha, não me responsabilizo.
Eu nem costumo ligar muito aos estudos e estatísticas que se fazem sobre o tema Sexo. E porquê? Porque acho que nesta matéria cada um sabe de si, e não há limites a não ser aqueles que os próprios intervenientes impõem. No entanto, tropecei num artigo que vem ao encontro daquilo que já "digo" há algum tempo, e que é para mim um mito urbano : a importância que os homens acham que as mulheres dão aos preliminares. Atenção, não confundir as coisas. O foco aqui é "OS HOMENS ACHAM".
Finalmente, um estudo veio afirmar que deve ser dada mais atenção à qualidade da relação sexual em si, do que aos preliminares. Ao mesmo tempo, defende o estudo, a importância destes tem sido sobrevalorizada pelos homens. E eu agora podia esmiuçar aqui o assunto, mas não vou fazê-lo. Talvez numa próxima oportunidade.
O fundamental, homens, é que entendam isto de uma vez : nem sempre apetece uma entrada. Mesmo quando apetece, se a entrada for muito demorada, pode desviar as atenções da refeição principal. E, para finalizar, não adianta servir uma entrada digna de restaurante com estrela Michelin, para depois apresentar um peixe cozido sem graça como prato principal.~
Não precisam de agradecer.

1 de abril de 2013

O dia mais inútil do Ano.

Podia gostar menos do dia das Mentiras? Aposto que esperavam o "Podia, mas não era a mesma coisa", que é frase à qual não reconheço a menor piada e que me faz sentir mais enjoada do que uma pescada em pleno Tejo, mas na verdade não, não podia. Passar o dia a tentar detectar mentiras e a desconfiar de tudo o que me dizem, é coisa para esgotar a minha paciência. E depois, pensando melhor, não é isso que faço todos os dias? Curiosamente, todos os dias são ditas mentiras, e com uma gravidade bem maior. Nem sequer me apetece aproveitar para dizer tudo aquilo que tenho vontade de dizer e que a minha educação ainda vai proibindo. Podia aproveitar e largar um "mentirinha!!", no fim. Mas nem isso. Em tempos, armada em engraçada, "terminei" um namoro por sms, neste dia. Pensava eu que era um clássico e que em dois segundos seria desmacarada, mas aparentemente exagerei na dose de realismo, e a brincadeira valeu-me um enorme problema para resolver. Na adolescência,de facto, somos um bocado parvos.

Por aqui, o dia não será celebrado. Não há cá histórias da carochinha para ver quem cai nelas.

A todos aqueles que mentem diariamente, que não se limitam a brincar no dia 1 de Abril, que vivem mentiras e fazem os outros vivê-las também, aproveito para dizer que, à semelhança do que se passa com o dia de hoje, também vocês são uns inúteis de primeira. Que as pulgas de mil camelos vos infestem o fundo das calças, é o que vos desejo. Atenciosamente.