É basicamente isto.

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24 de julho de 2013

Ide gozar com o #$&&$%&%$#!

Não fosse eu uma senhora que, mesmo em momentos de descontrolo e fúria extrema, tenta lembrar-se da educação que Mãe T. e Pai J. me deram, e este título seria outro. Com todas as letras.

Há dias, este senhor que não consigo já adjectivar, brindou-nos com esta merda de afirmação:


Eu até sou daquelas pessoas que tenta manter-se optimista em todas as situações. Que se mantém relativamente calma, e acredita que as coisas melhoram, que a vida é uma merda de vez em quando, mas no dia seguinte pode ser maravilhosa, que não há problema sem solução, que com empenho tudo se ultrapassa. Vivo preocupada como qualquer Português que viveu neste País nos últimos anos, mas tento não entrar em negativismos extremos e compreender que, quando chegamos onde chegámos, vamos ter que lidar com as consequências. Tento não deixar que esta merda desta crise e todo o ambiente à volta dela me afecte mais do que aquilo que inevitavelmente afecta e afectará : o bolso. Mas quando oiço afirmações destas, a coisa muda de figura. Saio do Mundo em que estes tipos e as merdas que dizem já nem me fazem pestanejar, para ficar virada do avesso. Há afirmações e afirmações. E esta, mesmo com toda a merda que este homem já disse, mesmo com toda a merda que outros membros deste governo de merda já disseram, é, na minha opinião, a mais grave que foi dita até aqui. Por vários motivos.

Porque é uma tentativa de desresponsabilização gigante perante o insucesso gritante (e já esperado) das medidas que tomou até agora, com uma mistura de provocação. Não consigo entender esta frase de qualquer outra forma. As pessoas não gastam o dinheiro que não têm. Que até é seu, mas que não têm ao final do mês. E a culpa é vossa, e só vossa. De quem previu ( onde é que esta gente aprendeu a fazer previsões?) que com menos rendimento as pessoas gastariam o suficiente. Este raciocinio já era qualquer coisa de fenomenal antes desta afirmação, mas agora, depois dela, é verdadeira e literalmente bestial.

É esta gente que eu oiço tantos defender que devemos deixar exercer as suas funções, sem interrupções de manifestantes? Devemos deixá-los falar? Discursar, dar palestras, visitar o Povo? Por favor. Se não gozarem com a minha cara, eu prometo que não gozo com a vossa. 

5 de julho de 2013

Resumo da semana. By CM.

- Paulo Portas não sabe o que quer dizer o termo "irrevogável";

- Cavaco Silva é a única pessoa coerente à frente deste País: não faz nada, mas também nunca fez;

- Pedro Passos Coelho parece ter menos 20 anos quando amua. E alguém lhe terá dito que lhe fica bem;

- Maria Luís Albuquerque tem cara para ter lugar nos meus pesadelos, com um picador de gelo em punho;

- Os portugueses continuam a ter um sentido de humor fantástico;

- José Seguro tem calos nas mãos. De tanto as esfregar, claro; e

- Está um calor que não se aguenta. Há 1.524.123 de fotos tiradas aos termómetros do carros, e publicadas nas redes sociais, a provar isso mesmo.

Acho que não me esqueci de nada, mas sintam-se livres para completar o resumo daquela que foi uma senhora semana.

2 de julho de 2013

E agora o Paulinho também?

O desgaste começava a ser notório, sobretudo pela cara pálida. Nunca antes se viu o Paulinho tão branco, enfiado.

Paulinho, o menino podia ter feito uma sessão de solário antes de aparecer para a fotografia, não? Sai assim tão sem graça, sei lá...

Next...?

O elogio post mortem.

Um clássico Português, este de começar a elogiar as pessoas depois de "desaparecerem", estejamos a falar de morte ou de gente que, finalmente, percebe que não tem condições para exercer as suas funções e se mete a andar, como o nosso Gaspar. Até aí, dizemos cobras e lagartos, queremos "matar, esfolar", é a pior pessoa do Mundo, não merece o ar que respira, mas quando se dá o desaparecimento, logo o cérebro do Português começa a ter "pena", "simpatia", "solidariedade", logo é feito um exercício de conscencialização, logo aparecem qualidades em pessoas que, até então, só tinham defeitos. Logo nos esquecemos que gritámos pela demissão, logo nos sentimos culpados pelo desfecho da história, quando, na verdade, eles saem de lá quando querem e não quando queremos.
Desde ontem, desde a demissão do Vitor Gaspar, que estou aqui numa dúvida que não se aguenta : estamos a falar do mesmo Ministro das Finanças de quem se falou nos últimos anos? Do mesmo que, às sexta-feiras, anunciava as medidas que nos f****** um bocadinho mais a vida? Do mesmo que foi mentor/portador da miséria que se instalou na vida dos Portugueses? Depois de todas as metas falhadas, depois de todas as medidas erradamente aplicadas, o Vitor Gaspar ainda será visto como herói? Estamos perante, com as devidas diferenças, um fenómeno idêntico ao fenómeno Sócrates, que conseguiu regressar à vida dos Portugueses como alguém que devemos ouvir, alguém que não é visto como criminoso, alguém que não fez uma gestão danosa. 
Percebo que a escolha da nova Ministra das Finanças (estive a dar uma vista de olhos no currículo da senhora, e não sei se foi da temperatura mais baixa, ou por isso mesmo que vim arrepiada até ao trabalho), possa levar-nos a pensar que estamos ainda pior entregues. Afinal, as coisas podem sempre piorar, já se sabe. Mas que nos esqueçamos de tudo o que aconteceu nos últimos meses, e que passemos a nutrir simpatia pelo Gasparzinho (enquanto político, entenda-se), já é coisa que me deixa de pulga atrás da orelha. 

24 de junho de 2013

O Poliamor.

"...é a prática, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos..." segundo a definição contida na Wikipédia. Confesso que desconhecia a existência de palavra para este conceito. Nas últimas férias li um artigo sobre este assunto que achei deveras interessante. O assunto em si é, aliás, interessante. Fez-me avaliar a possibilidade de um dia me ver envolvida num relacionamento de poliamor. Se seria capaz, se seria feliz dessa forma.
Basicamente, estamos a falar de "casais" compostos por três elementos, com conhecimento e aceitação de todas as partes, que chegam, muitas vezes, a partilhar o mesmo tecto. O dia a dia é igual ao das restantes pessoas e casais, com algumas (!!) nuances que permitem que a convivência seja o mais saudável possível. Se é verdade que há dias em que jantam os três, também há aqueles em que um dos elementos fica de fora para permitir um jantar romântico aos outros dois. Se existe espaço para programas e conversas que envolvem todos os elementos, também existe espaço para programas a dois. Estamos a falar de relacionamentos que podem envolver duas mulheres e um homem, ou dois homens e uma mulher. Todos afirmam ser possível amar duas pessoas ao mesmo tempo. Não conseguem viver de forma realizada com uma, apenas. A mulher ama aqueles dois homens, e eles "sujeitam-se" a partilhá-la. O homem ama as duas mulheres com quem vive, e estas, por sua vez, aceitam o relacionamento que mantêm com ele de forma partilhada.
A questão de ser possível amar duas pessoas até é, para mim e hoje em dia, pacífica. Acho perfeitamente possível. Sei que a maioria das pessoas não concebe esta hipótese, mas quem já a viveu, como eu, sabe que sim, é possível. Por motivos diferentes, é possível amar duas pessoas completamente distintas em tudo : personalidades, vivências, estilos de vida. Mas o caso já muda de figura se me pergutam se, mesmo amando duas pessoas, conseguiria perspectivar uma vida a três. Aqui, e por muito que cada vez mais me custe dizer que "nunca" farei isto ou aquilo, "nunca" agirei desta ou daquela forma, consigo dizer que muito dificilmente me veria envolvida num relacionamento tipico do Poliamor. Nem como figura central, nem do lado de lá. Não critico quem o faça, até porque, aparentemente e à sua maneira, há quem consiga ser feliz assim. Mas não é vida para mim.
Há quem defenda que é para lá que os relacionamentos caminham. Que as relações a dois, tradicionais, estão condenadas. Cada vez mais. Apesar de não discordar desta visão, a avaliar pelos relacionamentos que vou conhecendo, se é para aqui que caminhamos nesta matéria, vou ficar para trás. Se num futuro próximo (enquanto cá ando) esta for a tendência, estou fora. Não contem comigo.

E vocês? Há alguém desse lado com perfil para o Poliamor?


20 de junho de 2013

"É insustentável o direito à greve".

Estão sentadinhos? Assim bem seguros? Então já podemos falar disto :

"O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, defende a proibição da realização de greves nos sectores das forças armadas, forças de segurança, saúde, justiça e transportes."

Em compensação :

"À limitação constitucional do direito à greve, nas referidas áreas, “deve corresponder, por parte do Estado, uma compensação material e social aos trabalhadores desses sectores, visto que embora a respectiva carreira resulte de uma opção pessoal, têm de ser ressarcidos por não beneficiarem da totalidade dos direitos laborais”.

Noticia aqui.

Bom, eu sugiro, já que se pretende mexer na CRP para acabar com o direito à greve para alguns trabalhadores de determinados sectores, que se acabe com o Princípio da Igualdade. Com o Direito à Liberdade (seja como for, ela já é cada vez mais escassa). Com a Liberdade de Expressão (é da maior importância que se acabe depressa com este. Cada vez mais há que calar as pessoas que têm, cada vez mais, razões para protestar). Com a Liberdade de Imprensa (os jornalistas, aqueles bons, também começam a incomodar e a ser inconvenientes). Com o Direito de Manifestação (uma vergonha, que ainda exista). Ia sugerir que se acabe também com o Direio ao Trabalho, mas com este já não precisamos de nos preocupar.

Aproveite-se a revisão que o Sr. Jardim quer, e acabe-se com tudo isto. Esta história dos Direitos está completamente ultrapassada. Aliás, acabe-se com a Constituição da República Portuguesa de uma vez. Tem sido uma valente pedra no sapato do Governo.

Ou isto, ou mande-se este homem para um buraco negro qualquer.

4 de junho de 2013

Assim vão as coisas na Ordem dos Advogados.

Um grupo de advogados estagiários terá interposto uma Providência Cautelar com vista a acabar com a exigência da realização de provas no âmbito do estágio, e com o seu necessário resultado positivo, para poder ver o seu nome inscrito na Ordem dos Advogados (fora o exame final de admissão).

Foi dado deferimento à Providência Cautelar, e, consequentemente, ordenada a suspensão da realização das provas. Aparentemente, uma "nova" Lei admite, no máximo, um exame de agregação no final do estágio.


Agora aparece Marinho Pinto, que uma vezes defendo, outras acho que viola tudo o que é princípio Deontológico, a dizer que as provas são para realizar porque a decisão só se aplica aos autores da providência cautelar? É assim que vai a Ordem dos Advogados, actualmente.

Honestamente, não recordo os tempos de estágio com qualquer tipo de saudade. A morosidade, a complexidade, a falta de condições práticas para cumprir todos os requisitos sem os quais nem nos poderíamos submeter a exame, o carácter gratuito do estágio. E recordo-me bem da sensação de "tudo por tudo" que se sentia no momento de realização destes exames. Imagino o que seja estar no meio desta confusão, com toda esta incerteza, e com a noção que estão em causa anos de trabalho, trabalho que é árduo. A minha solidariedade para todos os estagiários envolvidos neste processo infeliz.

29 de maio de 2013

Disso do horário da Função Pública.

O Governo pretende alargar o horário da Função Pública, das 35 para as 40 horas semanais. É bom de ver que já está o caos instalado. Está ainda mais instalado uma vez que não está prevista qualquer actualização salarial proporcional ao acréscimo de horas. Vamos por partes.
Se concordo com o aumento de horas? Concordo, pois. No Privado esta é a tendência que predomina. E agora vocês dizem-me que só falo assim porque trabalho no Privado. Errado. Se trabalhasse no Público, por muito que me custasse vergar a mola mais 5 horas semanais, teria de entender que há que aproximar os direitos e deveres de todos os trabalhadores o máximo possível. Não se trata de qualquer tipo de guerra entre privado e público. Não se trata de não ter noção que já existem funcionários a trabalhar estas horas e até muitas mais, sem receber mais um cêntimo por isso. Mas depois existem os outros, os que não produzem, os que não trabalham um minuto a mais. E isto existe quer no privado quer no público.
Se concordo que não exista compensação? Não, não concordo. Ao acréscimo de trabalho, deveria sempre corresponder um acréscimo salarial, num plano ideal, num ideal de justiça. Mas isto não é apenas problema do sector Público. Também no Privado, já há muito e de forma mais ou menos generalizada, o aumento de trabalho não corresponde ao aumento salarial.
Se acredito que a produtividade aumente? Dificilmente. Existirão três atitudes perante esta medida : o FP que aproveitará mais uma hora diária para colocar o seu trabalho em dia, porque tem brio profissonal (este é aquele que, desde sempre, mais produzia mesmo antes da medida); o FP que não produzia em 7 horas e muito menos produzirá em 8 horas, porque não trabalha para o que lhe pagam quanto mais de borla; e o FP que até ia produzindo de forma razoável, mas que ficará revoltado com a medida e acabará por aproveitar para descansar nesta hora "extra".


Não vou aqui entrar no campo da discussão das regalias, e de quem as tem em maior número. A verdade é apenas uma : a "todos" será exigido que se trabalhe mais e receba cada vez menos. Isto parece-me incontestável.

O ideal? O ideal seria encontrar dentro de cada Ministério, cada Instituto, cada organismo público, as cigarras. As maçãs podres. Actuar em relação a estas pessoas e contratar gente com vontade e necessidade de trabalhar. E qualificada. Isto sim. Mas não só no Sector Público. Também o Privado precisa de ser arrumado, limpo. Anda muito boa gente a roçar-se pelos corredores, e isto é transversal aos dois Sectores. Fala-se muito em aumentar a produtividade, mas a verdade é apenas uma : há muita gente com emprego que não quer trabalhar. Que está a ocupar o lugar de gente que,  não só precisa, como tem vontade de trabalhar. E isto não é assim tão difícil de identificar. Acabe-se com a mama.

23 de maio de 2013

Quem quer abrir uma conta que reverta a meu favor? Alguém? Hum?

Cada um faz do seu pilim, do seu carcanhol, do seu dinheiro o que quiser, está bom de ver. Sempre foi assim. Mas a forma como as pessoas resolvem "investir" o seu dinheiro, é um dos temas que sempre mais me intrigou ao longo dos tempos. Não há consenso e nem poderia haver. Cada um vai buscar prazer e alegria momentânea, às mais variadas coisas. Dito isto, o que pensar desta situação?
 
"Os adeptos do Manchester United abriram um site para contratar Ronaldo. No site, com o nome "Bring Ronaldo home" (tragam Ronaldo para casa, em português), os apoiantes da equipa inglesa podem doar dinheiro. Os adeptos só têm de comprar uma camisola do clube com o nome do português e o número 7, que custa 65 euros, revertendo 12 euros desse valor para a dita conta.

Se no fecho do mercado a contratação de Ronaldo não estiver cumprida, então os 12 euros serão devolvidos aos adeptos. A vontade dos adeptos verem o jogador de volta é enorme, já que o português deixou muitas saudades na cidade inglesa."
 
(DN)
 
Não escondo que sou uma grande adepta de futebol, e que sou capaz de perder horas da minha vida a olhar para aqueles aquelas pernas 11 jogadores a correr atrás da bola. Mas gastar o meu rico e escasso dinheirinho nos esforços para a contratação de um jogador para o meu Clube? Nem mesmo por ti, CR.
 
No plano moral e/ou económico actual, isto causa-me alguma repulsa, sem querer dar lições de moralidade a ninguém. A verdade é que me custa ver que, em conjuntura de crise um pouco por toda a Europa, existam pessoas dispostas a este tipo de acções. Por muito que seja preciso respeitar a forma como cada um gasta o seu dinheiro, não será isto quase uma afronta? Não será isto viver totalmente desfasado do que é a realidade actual? Com tanta Instituição a precisar de donativos, e se estou em condições de doar, não deveria ser essa a prioridade? Para reflectir.

17 de maio de 2013

Disso da Co-Adopção.

Já me tinha despedido do blogger por hoje, mas estava aqui com os dedos a puxar por mim, a pensar neste assunto. A travar, também, uma luta interior com os argumentos contra e a favor. Nunca fui contra a homossexualidade, ou, melhor dito, a favor de qualquer tipo de discriminação em função da escolha sexual de cada um. Honestamente, é-me completamente indiferente. Homens, mulheres, hermafroditas, é o que quiserem. Respeito a escolha de cada um, e, honestamente, nem vejo porque motivo me deveria sequer incomodar. A mim e a todos. Não está provado que é coisa que se pegue com a convivência, o que sempre me levou a perguntar qual será o problema das pessoas em aceitar a escolha de cada um? Não fizeram a sua própria escolha? Adiante. Como será bom de entender, pela lógica, também nunca fui contra o casamento entre Homossexuais. Porque raio seria? Em que é que isso me afecta? A mim ou a qualquer outra pessoa? Há espaço para todos, e, felizmente, se a Joaquina decidir enrolar-se com a Francelina, eu não sou obrigada a enrolar-me com a Bernardete. 
O problema, a contradição, surge quando estamos a falar da Adopção. Aqui sim, já tive sentimentos contraditórios. Se por um lado sempre fui contra, em absoluto, qualquer tipo de discriminação, confesso que por algum tempo,achei que aqui nem estaríamos perante um acto discriminatório. Uma criança deve ser criada por uma Mulher e um Homem, com todas as diferenças que isso acarreta. Com todos os ensinamentos e orientações distintos que isso implica, e que serão absolutamente necessários. Mas depois surgia a eterna questão : há casais hétero que têm tanto para ensinar, ou dar, como teria uma pedra da calçada. Há pessoas que, independentemente do género, deviam ser absolutamente proibidas de criar uma criança. Contrariamente, haverão, certamente, casais homossexuais que terão mais para oferecer, a todos os níveis, do que muitos casais hétero. Com o passar do tempo, e de reflexão em reflexão, tenho chegado à conclusão que a adopção não deve ser vista desta perspectiva. O que deve ser tido em conta é se, do outro lado, estão dois seres humanos com capacidade para amar, cuidar, educar, criar, proteger, orientar uma criança. Independentemente do género. Todas as crianças merecem um Lar. Parece-me que ninguém negará que isto é a mais pura das verdades. E se é assim, porquê nega-lo com base no género de quem adopta? Parece-me, por muito que se diga que não, que esta questão vive, ainda e apenas, do puro preconceito. O que me aborrece e me envergonha, porque se há coisa que me custa é viver num País onde é preciso encontrar o preconceito ao virar de cada esquina, onde as pessoas são julgadas, e tratadas como inferiores, face a escolhas perfeitamente legítimas.
O passo dado hoje, com a aprovação do projecto de Lei da co-adopção, parece-me um passo gigante no caminho para a aprovação da Adopção pura por parte dos casais Homossexuais. Posso estar enganada, ou a ser ingenuamente optimista, mas acho que se abriu uma enorme janela. Do chão ao tecto. Isabel Moreira, autora do projecto de Lei, terá chorado no momento da aprovação. E esta é uma emoção que percebo em toda a sua plenitude. É uma luta ganha, na batalha ainda por travar.

9 de maio de 2013

Mas ONDE é que eles andam??

Li esta manhã, que os homens Lisboetas estão entre os mais bonitos do Mundo! Mais : são "cosmopolitas, bem-educados, cavalheiros, altos, carismáticos e atléticos"! Estão no Top 5.

Sim senhora, muito boa notícia!! Mas eu tenho uma pergunta pertinente a fazer: esta Cidade onde meto os pés todo o santo dia, não é Lisboa?? Onde é que eles andam, então? Apareçam, não se façam de timidos!!!

8 de maio de 2013

O Instinto Maternal.

A propósito dos anos que vão passando por mim, parece-me boa altura para aqui falar do meu instinto maternal. Ou da falta dele, neste caso. Quando se é Mulher, e sobretudo quando se passa a barreira dos 30, chega a inevitável pergunta, feita vezes sem conta, das formas mais inapropriadas e pelos mais diversos interlocutores "Não sentes vontade de ser Mãe?". Não, não sinto. Por enquanto. Até este momento, não houve altura da minha vida em que sentisse esse apelo. Nunca tive esse sonho, nunca fui a típica Mulher nesse (e noutros) aspecto (s). Não necessito de um filho para me sentir mais realizada ou para estar de bem com a vida. Para isto também contribuiu, certamente, o facto de não ter conhecido homem, até hoje, que me tenha feito idealizar a Maternidade. Ou conheci/conheço um, mas isso é uma outra história. Seja como for, e por muito que isto choque a maioria das pessoas, a verdade é que sinto, muitas vezes, que nasci desprovida desse instinto. Ou então, está tão escondido, tão no fundo de mim, que ainda não se manifestou. Muitas pessoas me dizem que um dia acordo, e lá está ele. Honestamente, tenho algumas dúvidas que assim seja. Não me sinto nem mais perto, nem mais longe. Sinto-me na mesma, com a mesma ausência dele que sentia há anos e anos atrás.
Isto é entendido por muitas pessoas como normal. O problema acontece quando, e geralmente esta reação vem de outras mulheres, mazinhas umas para as outras como sempre, sou olhada como uma aberração quando dou esta resposta. Já recebi olhares de horror, de estupefacção, de quase nojo (diria eu), de incredulidade.  Já recebi respostas de bradar aos céus, julgamentos de me fazer urticária, reacções de me fazer cegar. "A sério?? Isso é tão estranho", "Não acredito!", Não digas isso, que até te fica mal!", ou "Credo", são alguns exemplos. Pois, a estas pessoas, eu digo o seguinte de forma muito simples : ide lixar-vos!! Mas assim à grande! E só estou a utilizar esta palavra e não outra mais cabeluda, porque, apesar da nerveira que este assunto me causa, ainda me resta a educação.
Não peço, nem alguma vez pedirei, desculpa por não ter instinto maternal. Por ter a coragem de assumir que não me imagino a ser Mãe (até ver). Por gostar da minha vida tal como ela é, com toda a liberdade que isso me proporciona. Por conseguir ser feliz, sem ter que viver para outra pessoa, seja ela uma criança ou não. Eu não julgo as pessoas que optam por ter filhos, a não ser que o façam sem ter condições. Não ando a perguntar como é que conseguem viver vidas em função deles, exclusivamente, e esquecer-se que, antes disso, eram mulheres e homens. Não admito, pelo mesmo motivo, ser julgada pela minha opção. Não sou menos mulher, não tenho menos direitos, não devo ser enfiada num laboratório para estudo, por esse motivo.
Adoro os filhos dos meus Amigos, e Amo de paixão a pequena M., filha da minha "mana". Pela pequena M., aliás, tenho certeza que daria a vida, tal e como qual os Pais dariam. Mas perguntem-me se tenho instinto maternal, e/ou vontade de ser Mãe? Não. até ver, é um não sem qualquer margem para dúvidas. E esta, hein?

2 de maio de 2013

Crianças com armas?

Tenho alguma dificuldade em pronunciar-me sobre o caso da criança de 5 anos que matou, acidentalmente, a irmã de 2, nos Estados Unidos. Costumo imaginar a dor da família, o desespero que se vive, uma vida que não volta. Neste caso, imagino até o que será crescer na pele desta criança de 5 anos, na culpa que certamente sentirá um dia. Não é meu hábito falar sem conhecer todos os pormenores, atirar pedras, julgar os outros. Tento não cair nesta tentação. Mas, neste caso, e mesmo esquecendo que podem existir pormenores que desconheço, a pergunta que faço é :

Quem, no seu perfeito juízo, oferece uma arma a uma criança de 5 anos? Que tipo de Pais oferecem armas a crianças, mesmo sendo armas que, aparentemente, são destinadas precisamente às crianças?

Cresci numa casa onde existem duas caçadeiras. O meu Pai (contra a minha vontade - assunto que gerou um sem fim de discussões entre nós), foi caçador durante anos. Precisamente por ser um risco, e mesmo estando as armas fora do meu alcance, sempre estiveram descarregadas. Nunca soube, sequer, onde estavam escondidos os cartuchos. Nem eu, nem o meu irmão.

E hoje em dia querem convencer-me que este tipo de brinquedo é normal? Foi a isto que chegámos. Um simples brinquedo já não chega. Tenho imensa pena, sim. Mas, neste caso, e lamento não ter discernimento para mais, apenas das crianças envolvidas.

30 de abril de 2013

As claques em todo o seu esplendor...

 
 
 
(foto daqui)

Depois da vitória de ontem do SLB, é assim que está hoje a Estátua do Marquês de Pombal. Ora isto só tem um nome : Vandalismo! Uma vergonha. Honestamente, a mentalidade das claques é uma coisa que me assusta em toda a linha. E estaria aqui a dizer o mesmo, se tivesse acontecido com o SCP.
 
PS- ai do primeiro que se atreva a vir aqui dizer que com o SCP jamais aconteceria, porque para isso há que ganhar campeonatos... Ai do primeiro! 

A profissão mais velha do Mundo.

Tenho plena noção do quão sensível este assunto pode ser de abordar. Tenho, até, algum receio de partilhar a minha opinião sobre ele. Não por querer agradar a gregos e troianos, que não ando cá para isso, mas por ter receio de ser injusta de alguma forma.
A minha opinião sobre a Prostituição é quase extremista, a roçar o fundamentalismo. Tenho enormes dificuldades em entender que exista algum tipo de desespero suficiente para fazer uma mulher (vou só referir-me às mulheres, que são quem compõe a maioria deste mercado) enveredar por esta via. Por outro lado, também não consigo conceber que alguém faça deste o seu modo de vida, sem ser por absoluta necessidade. Talvez por ser mulher, tenha tantas dificuldades em conceber esta Profissão. Não tenho a menor dúvida que não existem empregos ao virar da esquina. Estou perfeitamente a par da realidade do País. Também não sou uma lírica que julga que um dia a prostituição desaparecerá. Mas que gostava, lá isso gostava.
Tive oportunidade de conhecer o Red District, ou o Bairro da Luz Vermelha, em Amesterdão. Sabia mais ou menos ao que ia, mas, ainda assim, tinha curiosidade em ver com os meus olhos esta realidade, confesso. Esta "visita" obrigou-me a pensar novamente naquela que é chamada de mais velha profissão do mundo, e nas mulheres que dela vivem. No que as levou a este caminho, nas condições em que o fazem. Hoje, se soubesse a diferença que faz ver umas fotografias ou estar ali, a cêntimetros daquelas montras, não quereria conhecer este bairro. Posso atestar, sem qualquer tipo de exagero, que fiquei nauseada. Ver mulheres, das mais variadas idades (estão lá miúdas com uma vida pela frente, e mulheres que já podem ser avós), de soutien e fio dental, em montras, como se de qualquer outro produto para consumo se tratasse, com pequenas camas ao lado, deu cabo deste estômago. Soubesse eu que o efeito em mim seria aquele, e teria deixado a curiosidade por matar.
Quem me acompanhava perguntou-me se não acho que é pior o que se passa em Portugal. Se não acho pior ver estas mulheres à beira da estrada, sem quaisquer condições. Honestamente? Não sei. A certeza de estar ali um produto, um bem em exposição (com a sua intimidade literalmente exposta a todo o tipo de olhares), é demasiado liberalismo (ou chamem-lhe o que quiserem) para a minha cabeça. Costumo dizer que todas as profissões são dignas, mas, e sem querer ferir susceptibilidades e na certeza que estou a falar de vidas e pessoas que desconheço, não consigo encontrar ali dignidade. Consigo entender que seja desejável que exerçam esta "actividade" com condições que em Portugal não têm. Mas colocá-las em montras? Permitir isto? Não consigo encaixar esta mentalidade.

12 de abril de 2013

Ainda o Rodrigo.

É a primeira vez que lanço um apelo neste espaço. Um pedido de ajuda. É-me de todo impossível ficar indiferente a esta situação. É um murro no estômago, um aperto que se sente no coração e na alma. É uma criança, com tudo o que isso significa, com uma vida pela frente cuja existência, neste momento, não depende de si.

Acredito que a maioria de vocês, que fazem parte deste Mundo que é a blogosfera, já conheçam esta causa, mas nunca é demais divulgar.

Deixo aqui  a  seguinte página com mais pormenores:


Os dados que se seguem, e que se destinam a quem possa ajudar, foram retirados do Ansiedades:

Titular: Cátia Vanessa Zeferino Patusco
NIB: 5200 5201 0010 3209 0016.4
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SWIFT CDOTPTP1XXX

9 de abril de 2013

Não estou a desejar mal a ninguém, mas...

...honestamente, e por muito que me custe dizer isto, constato que os Portugueses que assistem aos comentários do desgraçado do Sócrates no seu novo espaço semanal, têm o País que merecem. Só tenho pena que todos apanhemos por tabela.

E não, não me esqueci que não é o único culpado. Não me esqueci que são todos iguais ou muitos parecidos e que só muda o cheiro. Mas, e por muito que respeite a liberdade de cada um fazer, ver e ouvir o que bem entender, viver num País em que não sei quantos milhares de pessoas "bebem" as palavras deste homem que já tanto as enganou, causa-me "alguma" vergonha. Ainda assistiremos ao dia em que este homem passará a mártir.



7 de abril de 2013

Eu chamo-lhe Cagança.

Infelizmente, o tema não é novo. O episódio a que assisti, está longe de ser isolado ou de ser o primeiro do género. Também não será o último. Se há um tipo de gente que me causa assim uma náusea para cima do aceitável, é aquela gente que adora ser tratada por Dr/Dra. Aliás, não adora, que isso era pouco. EXIGE. Este gente exige que, antes do nome, antes de Maria ou António, ou Manel, ou Joaquim, seja colocado o título de Dra. ou Dr. Isso enche-lhes as entranhas de importância. Sentem-se logo assim a subir quatro ou cinco níveis na hierarquia humana. Qual? Aquela que acreditam que existe.
 
Na fila do supermercado, enquanto aguardava a minha vez, tropecei numa destas pessoas. Um homem (não vou chamar-lhe senhor porque a minha definição de senhor não se aplica a qualquer um) exigiu, da forma mais sobranceira que possam imaginar, que a funcionária o tratasse por Dr. Ao que entendi, surgiu um problema com o cartão multibanco do Sr. Dr. A situação já se arrastava há uns minutos, quando a funcionária teve o azar de proferir uma frase semelhante a "O senhor tem que verificar com o seu banco o que se passa, não faço ideia". O homem, já furioso com a demora e os olhares de terceiros, decide largar a seguinte pérola "Para começar, vai tratar-me por Sr. Dr. X! Não sabe ler?" E voilá. Cá está. O cartão multibanco deste homem, ao contrário do que acontece com o seu Cartão do Cidadão, terá o título de Dr. antes do seu nome. Clap, clap, clap. Bela merda, se me permitem, foi o que me apeteceu gritar lá de trás. Ao lado, a senhora que o acompanhava, estava,  ou eu estou doida, genuinamente envergonhada com esta postura. A minha revolta aumentou quando percebi que a funcionária, ao invés de meter a criatura no lugar com a resposta que merecia, pediu desculpa e passou a trata-lo por Sr. Dr. X. Sempre fui contra a máxima "O cliente tem sempre razão". No entanto, também eu lido com o público. Não desta forma, não tão directamente, mas o suficiente para saber que, por vezes, há que ignorar, engolir um sapo e atirar para trás das costas.
 
Há neste País um fenómeno que não sei se ocorre noutros. É o fenómeno da doutorice aguda. Quem dela sofre, tira um curso superior e acredita que, a partir desse momento, tem o direito de ser tratado de forma superior pelos outros. Elevou-se a um nível que nem todos atingem. Deixou de suportar ser tratado apenas pelo nome que lhe foi dado pelos Pais. Isto para mim, prova uma só coisa que os meus Pais tantas vezes disseram: instrução não é sinónimo de educação. E é bem verdade. O Sr. Dr. pode ter instrução, mas educação? Essa não se pode comprar.
 
Isto é gente que me causa uma repulsa difícil de transmitir. E antes que alguém pense, ou me venha dizer, que isto é dor de cotovelo, eu tenho um curso superior. Mas o dia em que exigir a alguém que me trate por Dra., será o dia em que eu não sou eu. Em que todos os valores que me transmitiram se perderam. Será o dia em que me esqueci de todas as minhas origens e que as pessoas valem muito mais do que aquilo que os cursos ou empregos dizem delas.

4 de abril de 2013

Ai, Ai as Mulheres #3

Ele há coisas que não entendo e que me causam alguma estranheza. Entre muitas, que eu sou muito observadora-curiosa e tenho a mania de saber os "porquês" de tudo, eu gostava mesmo de entender a mania que as Mulheres têm de se meter de mamas ao léu quando querem protestar contra alguma coisa. Ou contra qualquer coisa. Em Portugal parece-me que a moda ainda não pegou, mas quando leio uma notícia de protestos femininos noutros Países, é quase certo que vou ver mamas. Isto é o quê? os homens agradecem, será um facto. Mas depois de tantas mamas à mostra, de tanto topless em todo o Mundo, isto continuará mesmo a ser novidade e a chamar a atenção?
Chamem-me conservadora, mas eu não gosto nadinha de vos ver por aí a mostrar os atributos a cada protesto, senhoras. Uma roupinha em cima, sff...

Fica a promessa de não participar em qualquer manifestação nesses propósitos. E se, por um acaso, isso acontecer, têm o meu aval para me enfiar num colete de forças.