Não fosse eu uma senhora que, mesmo em momentos de descontrolo e fúria extrema, tenta lembrar-se da educação que Mãe T. e Pai J. me deram, e este título seria outro. Com todas as letras.
Há dias, este senhor que não consigo já adjectivar, brindou-nos com esta merda de afirmação:
Eu até sou daquelas pessoas que tenta manter-se optimista em todas as situações. Que se mantém relativamente calma, e acredita que as coisas melhoram, que a vida é uma merda de vez em quando, mas no dia seguinte pode ser maravilhosa, que não há problema sem solução, que com empenho tudo se ultrapassa. Vivo preocupada como qualquer Português que viveu neste País nos últimos anos, mas tento não entrar em negativismos extremos e compreender que, quando chegamos onde chegámos, vamos ter que lidar com as consequências. Tento não deixar que esta merda desta crise e todo o ambiente à volta dela me afecte mais do que aquilo que inevitavelmente afecta e afectará : o bolso. Mas quando oiço afirmações destas, a coisa muda de figura. Saio do Mundo em que estes tipos e as merdas que dizem já nem me fazem pestanejar, para ficar virada do avesso. Há afirmações e afirmações. E esta, mesmo com toda a merda que este homem já disse, mesmo com toda a merda que outros membros deste governo de merda já disseram, é, na minha opinião, a mais grave que foi dita até aqui. Por vários motivos.
Porque é uma tentativa de desresponsabilização gigante perante o insucesso gritante (e já esperado) das medidas que tomou até agora, com uma mistura de provocação. Não consigo entender esta frase de qualquer outra forma. As pessoas não gastam o dinheiro que não têm. Que até é seu, mas que não têm ao final do mês. E a culpa é vossa, e só vossa. De quem previu ( onde é que esta gente aprendeu a fazer previsões?) que com menos rendimento as pessoas gastariam o suficiente. Este raciocinio já era qualquer coisa de fenomenal antes desta afirmação, mas agora, depois dela, é verdadeira e literalmente bestial.
É esta gente que eu oiço tantos defender que devemos deixar exercer as suas funções, sem interrupções de manifestantes? Devemos deixá-los falar? Discursar, dar palestras, visitar o Povo? Por favor. Se não gozarem com a minha cara, eu prometo que não gozo com a vossa.



