Sim, agora que já o Mundo inteiro falou deste assunto, chegou a minha vez. Posso ser mais lenta, mas também tenho direito.
Andava na dúvida. Ler ou não ler esta trilogia, era a questão. Depois de ver o preço de cada livro, decidi que não ia comprá-los. Os livros estão pela hora da morte, e a dar dinheiro por eles, a E.L.James que me perdoe, mas prefiro investir noutro género. Pedir emprestado era uma hipótese mas, pensando melhor, nunca gostei de pedir livros emprestados. Não me perguntem porquê. Acabei por dizer tantas vezes que tinha curiosidade em ler o assunto do momento, que no Natal fui presenteada com os Volumes I e II. Pelo que ouvia dizer, ia ser canja. Lá para o dia de Reis, tinha os dois Volumes lidos, e estaria mortinha para ler o III, pensava meu. Pois que me enganei redondamente. Acabei de ler o Volume I, apenas ontem. Dia 17 de Abril. O livro que a maioria devorou em 3/4 dias. Eu demorei quase 4 meses. Não tenho nenhum atraso, não é isso. Até sou relativamente rápida a juntar letras, mas isto foi um parto difícil. Tão difícil, que comentei mais do que uma vez que ia meter o livro de lado. Lá cheguei ao final.
"Erótica, apaixonante e profundamente comovedora, a trilogia As Cinquentas Sombras vai obcecar-te, possuir-te, e ficar marcada na tua memória para sempre". A promessa era esta.
Deixa pensar...ah, pois. Não. A não ser que o caso mude muito de figura nos próximos Volumes, não estou nada comovida e/ou obcecada. Muito menos possuída (sem qualquer trocadilho).
O tema é interessante, claro que sim. O mundo da submissão tem muito ainda para explorar, muito para revelar. Não deixa de ser verdade que o tema me fez pensar na quantidade de pessoas que vivem relações desta natureza. Não vou dizer se as acho saudáveis ou não, porque é um campo no qual cada um sabe de si e estabelece os seus próprios limites. Isso sim, é importante. Já no que diz respeito ao livro, acho que o tema está mal explorado. O facto da escritora ter tentado escrever um misto de livro erótico, se lhe quisermos chamar assim, e de romance, faz com que o tema fulcral seja mal aproveitado. A tradução também deixa bastante a desejar. À personagem principal feminina, são atribuídas expressões dignas de uma adolescente de 15 anos ou menos. Não é uma personagem consistente. A personagem principal masculina, é uma espécie de homem perfeito, se aceitarmos que o homem perfeito pode ser sadomasoquista. É um livro de puro entretenimento, como seria de esperar, mas contava que me agarrasse numa espécie de vício que tivesse que alimentar todos os dias, como tanto por aí ouvi dizer. Uma desilusão, portanto.
Como nota final, e consciente que isto vos levará aos mais diversos raciocínios, devo acrescentar que não percebo o que levou mulheres de todos os cantos do mundo a colocar em causa as suas vidas sexuais. Honestamente, isto diz muito sobre a insatisfação que existe neste campo. Tirando os cenários característicos do sadomasoquismo, e esses serão só mesmo para quem se vê a protagoniza-los, o resto do livro não tem NADA de extraordinário neste campo. É preciso ler um livro para pensar em apimentar este campo? Estamos mal, estamos...






















