É basicamente isto.

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24 de outubro de 2012

"Os Homens são de Marte e é para lá que eu vou".

Sexta feira passada foi noite de programa de miúdas (somos todas umas jovens ainda, portanto, vou mesmo usar a palavra miúdas), o que significou rumar até ao Tivoli para ver esta peça. Resultado ? Barrigada de riso. E espirito bem mais sereno por constatar que não só só eu que acho que os homens ensandeceram e ninguém os entende. Salvo raras e honrosas excepções.

Estamos a falar de um monólogo, hilariamente escrito e estupendamente interpretado pela actriz Mónica Martelli. Com muito humor ( e alguns palavrões cabeludos à mistura), é feita toda uma critica à postura dos homens quanto aos compromissos, e à ansiedade das mulheres em encontrar um homem que seja "wedding material". Ou, pelo menos, material para uma relação séria.

Os momentos que se vivem após os primeiros encontros, o esperar do telefonema, o telefonema que não chega, o "afinal havia outra", a pressão da família e da sociedade em cima desta mulher de 39 anos, são descritos com uma semelhança assustadora com a realidade. Que mulher ainda não viveu estas situações? Os olhares cúmplices das mulheres na plateia (algumas acompanhadas pelos companheiros que lá iam esboçando sorrisos à laia de "se elas se juntam agora todas, não saímos daqui com pulso") diziam tudo.

A frase "39 anos não é idade para estar solteira...é idade para estar num casamento...já em crise!", fez-me rir alto e bom som. Tenho 33. And counting.

Por outro lado, homens, digo-vos (e aceitem isto com todo o sentido de humor que conseguirem), que também se conclui, na peça, que o melhor estado civil é...a viuvez.



12 de setembro de 2012

Caveman.Imperdível.

Munida de bilhete para o efeito, rumei ao Teatro do Bairro para assistir a esta peça simplesmente hilariante. E brilhantemente interpretada, desta vez, pelo Manuel Marques. Actor que dispensa apresentações e de reconhecido talento. A veia humaristica que revelou mais uma vez nesta peça, é admirável. E a peça não é simples de interpretar, digo eu. Cerca de hora e meia de texto bem decorado, bem interpretado e sem falhas, é obra.

O tema pode não ser original, mas não deixa ninguém indiferente : a eterna "guerra dos sexos". O porquê de ser tão complicado o entendimento entre homens e mulheres. As falhas de comunicação e as dicussões que podem derivar de simples pontos de vista diferentes. Reza a peça, que a explicação já vem "lá de trás". Dos tempos em que os homens tinham como tarefa "caçar" e as mulheres "colher". Isto explica, entre outras coisas, o porquê do homem só conseguir fazer uma coisa de cada vez (com concentração absoluta num só objectivo) e a mulher conseguir fazer várias e ainda prestar atenção aos mais diversos pormenores. O lugar que cada um "cresceu" a ocupar na Sociedade, conduziu à maioria das diferenças.

São abordadas as mais diversas situações : uma viagem de carro, uma visita a casais amigos, uma ida às compras, um dia de limpezas em casa, entre outras. Tudo com uma dose de humor iressistível. Confesso que foi bonito ver as trocas de olhares e gargalhadas cúmplices entre os casais que estavam a assitir à peça. Aposto que muitos se perguntavam o porquê de discutirem, afinal, certas coisas tão pequenas até à exaustão.
Contas feitas, homens e mulheres não são assim tão diferentes. Têm apenas formas de comunicar distintas. E às vezes basta isso para que possam ser mal interpretados. Uma coisa é certa : entender estas diferenças e aceitá-las, exige uma enorme dose de paciência. Mas não só é possível, como é bonito!

Deixo-vos alguns excertos da peça, bem mais engraçados quando ditos na voz do Manuel Marques, portanto, façam esse esforço de imaginação:

"Saem com a vossa namorada e esquecem-se de lhe fazer um elogio? É que está tudo tramado, mas vale irem para casa!!" - explicação : os homens quando se encontram, não se enchem de elgoios mútuos, nem sequer lhes ficaria bem fazê-lo. As mulheres quando se encontram, comentam a roupa, o cabelo, elogiam-se. Esperam, por isso, que os homens façam o mesmo com elas.

"As mulheres reúnem-se, ensaiam" - explicação : quando as mulheres se juntam, falam de tudo. Esmiuçam todos os assuntos. Quando os homens se encontram, são capazes de passar uma tarde, uma noite, um dia em silêncio absoluto ou quase. As mulheres colhem muito mais informação, estão muito mais "treinadas" para ter conversas. Não entendem que, na maioria dos casos, os homens não tenham falado de coisa alguma entre eles. A Pesca, por exemplo. Foi inventada com o mais primitivo dos propósitos : estão simplesmente sentados, sem ser preciso conversar.

"Nós homens temos que desligar o rádio quando nos perdemos. É um facto!" - explicação : lá está. Os homens só conseguem fazer uma coisa de cada vez. A mulher pensa : qual é a dificuldade? Uma mulher encontra o caminho com o rádio ligado, a limar as unhas e ainda a cantatolar pelo meio. As mulheres conseguem falar e ler ao mesmo tempo. Já os homens têm que colocar o dedo na frase que estavam a ler para não se perderem.

"As mulheres têm um cérebro fantástico" - esta não exige explicação. É assim. Ponto.

"Se pensasse com a cabeça de uma mulher, explodia" - explicação : as mulheres pensam em milhentas coisas ao mesmo tempo. Querem saber tudo sobre tudo. E aquilo que não sabem, imaginam. Imaginam que seja assim ou que possa ser assado. Inconcebível, na cabeça de um homem.

"Os homens dizem, em média, 2000 palavras por dia. As mulheres dizem...7000"- É por este motivo que quando uma mulher pergunta a um homem "então mas vocês falaram de quê?" e o homem responde "de nada", a mulher pensa que o homem está a esconder alguma coisa. Mas não está. A mulher quer detalhes e ele não tem detalhes para partilhar. Inconcebível, na cabeça de uma mulher.
É também por este motivo que quando uma mulher chega a casa e quer falar, mas o homem diz que não tem nada para dizer , a mulher pensa que qualquer coisa está errada. Mas não está. Ele só esgotou já as 2000 palavras diárias. Não tem mais.

"Pergunta simples : o nosso companheiro/a está às portas da morte e é preciso roubar o remédio que o pode salvar. Roubarias? O homem responde imediatamente que sim. A mulher responde que não. Porquê? Porque pode ir à farmácia tentar explicar a situação. Porque pode haver um seguro de saúde. Porque pode aparecer outro remédio, etc. Mas porra! A Pergunta não era essa" -mais uma vez, o homem vai directo ao objectivo. A mulher quer reunir informação.

"As mulheres deixam-nos ficar com o sotão, a garagem e a cave" - nada a opôr a esta.

"E no inverno aqueles pés?? Há qualquer coisa errada com os pés das mulheres!!" - defeito assumido. Pés sempre gelados no Inverno. Somos assim, mas...somos adoráveis.




CM