É basicamente isto.

É basicamente isto.

18 de junho de 2015

Não se aguenta! #1

No âmbito da lógica de efeito terapêutico que isto de ter um blog proporciona, nasce esta rubrica onde serão abordadas questões que, não sendo à partida questões aptas a trazer mal ao Mundo, têm aquele dom de me(nos) tirar do sério à velocidade da luz.
Vamos falar dos operadores que as empresas escolhem para contactar os clientes - começo por referir que eu própria já trabalhei em telemarkting e que reconheço as dificuldades deste trabalho, bem como o desgaste que causa. É preciso uma enorme dose de paciência, é preciso uma auto-motivação que não tem fim, é preciso um enorme brio para executar esta tarefa, é necessário engolir muitos sapos e ouvir muita coisa que não se merece ouvir. Mas isto, meus senhores, não justifica tudo. Não justifica, acima de tudo, a aparente surdez que se apodera dos operadores a partir do momento em que decidem contactar um cliente. Não justifica que se ligue o piloto automático, que se entre em modo robot, que se leia um guião. Está uma pessoa do lado de lá, a dizer umas coisas que convém que oiçam. Eu não sei como funcionam as Empresas neste âmbito hoje em dia, mas quando trabalhei nesta área, as chamadas eram todas gravadas e ouvidas diariamente. Tinha uma chefia que, diariamente, fazia sugestões, recomendações, correcções. Hoje em dia, tenho dificuldade em perceber o que se passa, e poucos contactos que recebo correm bem e/ou não me deixam à beira de uma crise de nervos, capaz de nunca mais atender o telemóvel. (Depois passa-me. Sou demasiado curiosa para não atender uma chamada, até porque, já se sabe, o Murphy não dorme, e a probabilidade de não atender precisamente a chamada que mudaria a minha vida, é idêntica às probabilidade actuais de ser dia de greve de metro).

Se me estão a ler, chefias deste País, tende em conta esta pequena, mas útil, lista de coisas que nos fará a todos mais felizes :

- não começarão o contacto com um "Estou a falar com a Sra. Dona Maria...?" - não, minha gente. Sra. Dona é uma expressão apta a causar um espasmo que pode resultar em chamada desligada;

- perguntarão SEMPRE se o momento é oportuno. Sobretudo se o contacto é feito em horário laboral, ou à hora de jantar, como tanto vos apraz;

- quando o momento não é oportuno, não insistirão em prosseguir com a chamada, sob pena do cliente achar que são surdos, ou, pior, perceber que estão a gozar com a sua real cara;

- quando um cliente diz peremptoriamente que não está interessado, não prosseguirão com a chamada com argumentos desesperados. Isso apenas dará uma imagem pouco séria à Empresa. Aproveitem para passar ao próximo cliente que poderá estar ansioso por receber o vosso contacto;

- quando o Cliente não está interessado, não responderão com um "Mas porquê?". Porra, meus senhores! É assim que se fala com um cliente, pá? Mas quem é que vos deu formação para estes contactos?;

- Não comerão durante os contactos;

- Não farão comentários menos abonatórios sem verificar que a chamada está, de facto, em mute;

- Por fim, não ligarão, em circunstância alguma, 10 vezes no espaço de 30 minutos.

Passo a passo, por um Mundo melhor.


17 de junho de 2015

A maior desgraça da vida de uma Mulher : um pneu furado.

Nem tudo nas férias são rosas, meus caros, não pensem que sim. Não sou pessoa que deva muito à sorte (só não arrisco dizer que não lhe devo nada porque, já se sabe, as coisas podem sempre piorar e o diabo está sempre à escuta), portanto, metendo pé fora de "casa" para umas férias, é sabido que qualquer coisa vai acontecer. E aconteceu. Um furo num pneu não é uma coisa grave, não é nada que estrague as férias a ninguém, mas, catano, para mim, aqueles minutos são o fim do Mundo. Nunca na vida troquei um pneu. Geralmente é o desgraçado felizardo do meu Irmão que fica com essa tarefa. É a minha assistência em viagem, com a vantagem de ser mais rápido, mais eficaz, e chegar ao pé de mim com um sorriso -  que é de puro gozo, eu sei, mas é um sorriso.
Só que não. Desta vez, o maninho estava a qualquer coisa como 300 kms de distância. Quando uma amável senhora me diz, no seu inglês perfeito : "Do you know you have a flat tire?!", pensei automaticamente  "Porra!! Tenho o Inglês tão enferrujado que ia jurar que a inglesa me está a dizer que tenho um furo". Ainda assim, à cautela, olho para o pneu e ...nada. Apatia. É sempre isto que acontece quando vejo um pneu furado. Não há reacção. Não oiço nada à minha volta, não vejo mais nada. Fico ali uns bons segundos a olhar para aquele desgraçado, vazio. Quando dou a boa nova à amiga que estava comigo, confortavelmente sentada dentro do carro, a achar que dali a 5 minutos estava deitada de papo para o ar na praia, a reacção (ou a falta dela) foi idêntica. Acho que ali a certa altura praguejámos umas coisas, que não vou replicar. Nesta alturas, é impressionante a quantidade de palavrões que, num repente, o nosso cérebro transmite às cordas vocais.
Ora se a natureza foi tão madrasta com as mulheres em tantas coisa, eu defendo que também devemos aproveitar as vantagens que nos deu. E esta é uma delas : qual é o homem que rejeita ajuda a duas moças para trocar um pneu furado? Nenhum. Seja porque quer mostrar que consegue, seja porque o nosso ar frágil é adorável, seja pelo que for. Entro no quiosque do outro lado da rua, e pergunto, enquanto pestanejo, se existe alguma oficina próxima onde me troquem um pneu furado. Ainda mal acabei a frase, já me diz um senhor simpático e prestável "Então mas porquê? Não sabe do macaco?" "Ah, sei, sim, mas sabe, somos duas mulheres e...". Já nem acabei a frase. O senhor Algarvio simpático, fez o favor de nos trocar o pneu, com uma paciência de santo, enquanto ainda teve de ouvir as nossas queixas sobre a falta de sorte.

Em nossa defesa, devo acrescentar que o senhor teve de consultar o manual de instruções do carro, para perceber onde deveria colocar o macaco. Mais, ainda teve de dar umas pancadas valentes no pneu, para ele sair do lugar. E esta, hein? Palpita-me que ainda lá estaríamos as duas, a esta hora, entre o manual e o macaco.


Agora venham aqui dizer-me que trocam pneus sozinhas, mulheres que me lêem! Só acredito vendo. Podem enviar os vídeos para o e-mail, sim?

15 de junho de 2015

As férias? Foram uma porcaria.

Vamos chamar férias, apesar de mini, a estes dias que me ausentei para descansar esta cabeça. Vamos, até, fazer de conta que vocês deram por elas, e que já acediam ao blog, entre suores frios, de 5 em 5 minutos.
Não sintam a mais pequena ponta de inveja. As férias foram uma desgraça. Uma vida que não se aguentava, entre mau tempo, paisagens horríveis, má comida e água fria. Uma coisa que só visto e que não desejo a ninguém.
Por falar em só visto...














9 de junho de 2015

Sei o que (não) fizeste o Ano passado.

Estive ausente mais de um Ano. Foram mais de 365 dias de um misto entre as saudades de escrever, as saudades de vos ler, e a noção que, ou abrandava o ritmo e mudava algumas coisas na minha vida, ou atingiria a exaustão. Quem tem um blog, sabe que o prazer que ele nos dá é proporcional ao tempo que nos ocupa. É um gosto receber os vossos comentários e sempre fiz questão de responder a todos. Parece-me o mínimo que posso fazer para retribuir os minutos que me dispensam (vocês são os maiores, não me canso de dizer!). O tempo é aquele sacaninha que não estica, e que nos foge sem sequer darmos por isso. Este intervalo impunha-se, portanto.
Recebi contactos de alguns seguidores que me questionaram se existia um motivo concreto para este afastamento, e lá fui esclarecendo que não. Mas aqui, para todos, nunca cheguei a fazê-lo. Vamos portanto, por partes:

a) Casaste, CM? Não, não casei. Não sei se casarei algum dia, sequer, mas ainda não foi desta que um sortudo me fisgou;

b) Tiveste um filho, CM? Também não. Ainda não existe uma criança nesta casa a acordar-me para ir levá-la à escola (sim, presumo que seria assim, e não o contrário. Mas também não me chamem já a Segurança Social);

c) Meteste uma mochila às costas e viajaste pelo Mundo, CM? Oh, meus fofinhos, que boa lembrança! Tirando a parte da mochila,  que não dá para nada, isso é que teria sido!! De País em País até me cansar. Mas também não;

d) escreveste um livro? Sim, escrevi, pois! Foi aquele, aquele que teve muito sucesso, o...sabem...não, também não escrevi..
No fundo, e mais a sério, quando olho para trás, para o ano que passou, vejo que nada mudou. E, por outro lado, tudo está imensamente diferente. Deve ter sido o ano em que mais cresci, o ano mais exigente dos últimos tempos, o ano que mais me ensinou.

Mas não pensem que não há grandes e inacreditáveis novidades. Já vos disse que me inscrevi num ginásio? (devida pausa para a vossa estupefação...) E que já estou inscrita há quatro meses e ainda não penso em desistir? Estou tão crescida, chiça!




8 de junho de 2015

A análise comportamental do Português no areal.

Se tivesse guelras em vez de pulmões, seria feliz. Noutra vida, para quem acredita nestas coisas, fui uma sereia, disso não restam dúvidas. "Sempre que bilha o Sol, naquela praia..." (sim, é Marco Paulo, grande voz portuguesa), a CM está lá. E quem frequenta tanto os nossos areais como eu, sabe que é terreno fértil para a análise comportamental dos Portugueses. Os fenómenos multiplicam-se.

Eu sou a miúda que chega à praia, estende a toalha, passa o protector pelo corpinho e pela cara, abre o livro/ a revista e desliga. Levanta-se para mergulhar quando o calor já não se aguenta, ou quando tem a SORTE (cada vez mais rara) de ter companhia para jogar raquetes. Ou para ir comer. Ou para ir beber. Esta é a rotina que adoro e que não gosto de ver interrompida. Dito isto, toda eu tremo quando vejo grandes grupos, sejam eles compostos por adolescentes ou por famílias inteiras (a sério, como é que se organizam de forma a irem todos, juntos, no mesmo dia e à mesma hora, à praia?!?) aproximar-se. Os adolescentes falarão das festas onde vão à noite, e do que vão vestir, e de quem vai estar. Das ressacas com que estão, do que vão beber e das mentiras que contarão aos Pais. As famílias falarão de quem não está, de todo, ou de quem aproveitou para ir refrescar-se: "Tu já viste o estado em que tem a casa?", "Já viste como veste os filhos?", "E o que engordou este Inverno?". E aqui eu começo a desesperar, e a virar-me mais vezes na toalha do que um cão com pulgas, a olhar de soslaio e a suspirar por todo o lado. A proximidade dos corpos nos areais, obriga-nos a saber demasiado uns sobre os outros. E eu não queria, a sério que não.

O espaço é outro problema. Mesmo entendendo eu que não estou assim tão mal, e posso ser agradável à vista, não entendo que queiram deitar-se em cima de mim. E não aceito. Ou deitar-se tão próximo de mim, que podíamos partilhar a mesma toalha e a diferença seria nenhuma. Nestas alturas, não tenho meias medidas e quem está comigo já sabe o que acontece : pego na trouxa e mudo de sítio. Invariavelmente. E em meia dúzia de dias, isto aconteceu 3 vezes. Significativo.

Num registo mais sério, a Praia é o sitio perfeito para mostrar a educação ou falta dela. É o sitio ideal para mostrar o respeito pelos outros e pelo seu espaço. E é um local que daria para realizar grandes análises comportamentais. É possível conhecer muito das pessoas pelo seu comportamento nas praias, vão por mim.
Bons mergulhos!
PS - este é um tema que será abordado, ao longo do verão, sempre que os episódios vividos no areal o justifiquem. Fiquem ligados.