O Rui Pedro é, infelizmente, a criança desaparecida mais "mediática" deste País. Não sou Mãe, posso só calcular a dor que seja não saber o que aconteceu a um filho, e não faço ideia onde as pessoas vão buscar forças para ultrapassá-la. Dito isto, sempre que leio que a Mãe do Rui Pedro continua a lutar para saber o que se passou, continua a não deixar cair no esquecimento um caso não resolvido, apetece-me mandar fazer uma estátua a esta grande Mulher. Tanta luta, com tanta dor pelo meio, e com tão poucos resultados, é admirável. Quase contra tudo e contra todos. Acredito que tenha sido a forma que encontrou de lidar com a angústia e o desespero, e merece toda a minha admiração. É como se diz : a vida prega rasteiras a todos nós. A uns maiores, a outros mais pequenas. Mas a verdadeira diferença é a forma como lidamos com elas e isso depende da força de cada um.
Agora, 15 anos volvidos, aquele que sempre foi o principal suspeito do desaparecimento desta criança, foi condenado. Só agora. E a 3 anos e meio de prisão. Sobre isto, e apesar de não conhecer o Processo Judicial a fundo, e sobretudo porque esta decisão ainda não transitou em julgado, e será precoce falar sobre ela, duas coisas só: restam poucas dúvidas quanto às falhas da Justiça neste caso. É mais exemplo da magnitude que pode assumir um erro em matéria Judicial, ou uma investigação deficiente. Por outro lado, 3 anos e meio de pena parece-me um passeio no parque. O advogado da Família diz que é uma vitória para todos nós e um "lavar de cara". Concordo que mais vale tarde do que nunca, mas assusta-me mais os 15 anos que passaram até ao dia de hoje.



