Em primeiro lugar, um breve apontamento sobre a Cidade de Portalegre : não tenho, nem eu nem a maioria das pessoas, creio, o que quer que seja contra esta Cidade. Nos últimos dias, e desde que saiu esta notícia, encontrei vários comentários dos habitantes de Portalegre revoltados com facto da Cidade não ser notícia por todos os outros bons motivos, e ser por este. O nome da Cidade está nas bocas do País, apenas porque foi de facto em Portalegre que tudo se passou. Fará pouco sentido falarmos do assunto com um misterioso "aquilo que aconteceu naquela Cidade cujo nome não podemos pronunciar". Aconteceu em Portalegre, mas podia ter acontecido em qualquer outra Cidade, porque a falta de bom senso não encontra limites geográficos. Infelizmente.
Em Portalegre, a PSP ( também não faz sentido dizer "aqueles senhores fardados") e a Autarquia, decidiram, entre outras acções, celebrar o dia da Criança com uma acção em que é simulado um motim entre as forças das Autoridades e Manifestantes que lançam "pedras de papel".
Nos últimos dias, as opiniões dividem-se entre quem achou esta acção uma barbaridade, e quem acha um verdadeiro desperdício tanta preocupação com este tema quando, como se sabe, há tantos problemas a carecer da nossa atenção neste País.
Eu, por acaso, não sou Mãe. Eu, por acaso, não sou professora. Também não sou psicóloga e/ou socióloga. Mas nenhuma destas circunstâncias me impede de ver a falta de bom senso desta acção. O objectivo era pedagógico, defende a Autarquia. O objectivo era explicar o papel da autoridades, e a diferença entre aquilo que se deve ou não fazer. Eu leio e oiço estes argumentos, e tenho uma dificuldade enorme em entender que se ache necessário, ou útil, envolver as crianças numa simulação de conflito e violência, para lhes ensinar a diferença entre o certo e o errado. O que mais estará na calha, no que diz respeito ao futuro da educação? Vamos administrar drogas às crianças para que sintam os efeitos negativos, e aprendam que a droga é uma coisa má? Vamos dar-lhes um ou outro cigarro nos intervalos? São exemplos exagerados, pois são. Mas estou com dificuldade em entender esta técnica de ensino/pedagogia.
Eu não sou Mãe, poderão vir cá as Mães que aceitam esta acção como normal dizer-me. Mas se fosse Mãe de uma criança daquelas, estaria agora a pedir satisfações sobre o assunto.
Entretanto, a Presidente da Câmara de Portalegre lamenta apenas o facto da fotografia ter sido publicada. Sim, percebo. De facto, teria dado um jeitão ninguém ter visto. Vivemos na era digital, senhora. Era de prever, digo eu.
PS- no momento em que publico este texto, já rebentou outro escândalo. Quaresma, quase nu, sentado num sofá. Isto sim, é preocupante, não é meu Portugal?