É basicamente isto.

É basicamente isto.

8 de novembro de 2013

Margarida Rebelo Pinto e a (minha) repulsa.

Estive para não escrever sobre este assunto. Toda a gente sabe que, boa ou má, publicidade é sempre publicidade. Por outro lado, ou muito me engano, ou não há publicidade que ainda consiga recuperar a imagem desta senhora.
Não é a primeira vez que MRP se atira para fora de pé, e diz coisas capaz de eriçar os pelos à mais calma das pessoas. Há por aí um sem número de crónicas da senhora a atestar isto. Ainda me recordo da famosa crónica sobre as gordinhas, depois da qual ainda me espanto que ninguém lhe tenha pregado duas bofetadas bem assentes. E duas bofetadas de uma gordinha naquela cara escanzelada, fariam a devida mossa, parece-me. Quando proferiu as primeiras declarações polémicas, achei apenas que seria uma pessoa com uma enorme falta de noção e bom senso, como tantas outras que por aí andam. Completamente deslumbrada e desenquadrada da Sociedade, em relação à qual se acha, notória e incrivelmente superior. O que a distinguia, era o facto de verbalizar este tipo de opiniões. Há tantas, mas tantas MRP por aí. E Margaridos também.
O que me começa a chocar profundamente, é que esta senhora não aprende. Nenhuma das declarações estapafúrdias que fez até à data, a fizeram parar para pensar, e não repetir o disparate. Mas pior, conseguiu elevá-lo. O tipo de comentários que proferiu, numa época como aquela que se vive, “contra” um povo melindrado o bastante, no limite da paciência, que merece, no mínimo, que quem ainda não passa dificuldades, não goze com quem passa, ou tente, sequer, ter a presunção de saber como estas pessoas vivem e o que suportam, já é de uma burrice atroz. Que faça este tipo de comentários, ela e as outras Margaridas, no seu grupo de amigos, já é coisa que não me incomoda. Não planeio tornar-me amiga da senhora. Que o faça, repetidamente e, desta feita, sobre um assunto com esta seriedade, já é caso para lhe passar um atestado de burrice crónica. Estamos a falar de uma pessoa a quem convém, digo eu, que ainda alguma alma neste País queira comprar um livro escrito por si. A não ser que a moça tenha um plano milagroso para fazer as pazes com as gordinhas e os necessitados deste País, talvez seja melhor começar a pensar numa carreira mais sólida no estrangeiro. Antes que oiçam falar de si também, claro.

PS- confesso que li, em tempos, dois livros desta senhora. Não aponto nada à qualidade da sua escrita. Todos sabem que não virá dali um Saramago. Nem todos querem ler apenas os Saramagos, e ainda bem que assim é. Se hoje seria capaz de comprar um livro seu? Não. Causar-me-ia, até, uma certa repulsa de mim mesma.

7 de novembro de 2013

Mais um dos muitos flagelos femininos.

Não há mulher que não saiba a desilusão que é fazer uma mudança de visual na qual ninguém repara. Ou quase ninguém. A nossa melhor amiga reparará, eventualmente. Uma colega de trabalho mais atenta, também. Mas contar com muito mais do que isto, é ver a desilusão lá ao fundo, a acenar-nos, e ir a correr ter com ela, todas contentes da vida. Contar com isto vindo do seu parceiro, então, é o mesmo que esperar que a vida seja justa, ou que a Liliane Marise se cale de uma vez : não vai acontecer.
Pintamos, cortamos, esticamos os cabelos. Passamos horas, H-O-R-A-S, nestes rituais. Não o fazemos para os outros, não é isso, fazemos porque uma mudança faz milagres pela auto-estima e recupera o espirito de qualquer pessoa (a não ser que corra mal, e aí não, aí mais vale que ninguém repare), mas caramba pá, sejamos honestas : se o fizermos por nós, mas a mudança for notada, melhor.  Se nos disserem que estamos maravilhosas, então, perfeito!

O que me faz mais espécie neste assunto, o que nunca vou entender, é que homens e mulheres se comportem de forma tão distinta nestas situações : se reparamos em qualquer cêntimetro de cabelo a menos, se reparamos em qualquer camisa nova, qual é o bloqueio que não permite o cérebro masculino fazer o mesmo? O que é que, geneticamente, os fará sempre panicar perante a pergunta "não reparas em nada diferente?"? Pura falta de atenção ao detalhe? Falta de poder observador? Seja o que for, corrijam lá isso, sff. Falava, há dias, com uma amiga sobre esta questão, e chegámos à conclusão que nunca passou um homem pela nossa vida que reparasse automaticamente nas mudanças de visual. Que não precisasse de uma série de pistas para lá chegar. E não venham com a desculpa que cortamos milímetros aos cabelos e queremos que se note. Ele há homens que não notariam que a mulher fez madeixas verdes (verdes, sempre verdes), que precisariam de horas para notar que as mulheres raparam o cabelo num acesso de G.I.Jane. As queixas femininas sobre etse tema são recorrentes. Deixo, por isso, um apelo aos homens que ainda aqui chegam para ler umas coisas : reparem mais nas vossas mulheres, sim? Vão ver os milagres que isso vai fazer por vocês, também (que é como quem diz, se não o fizerem por elas façam para colher os frutos, sem que elas percebam, chiça!).

6 de novembro de 2013

O Universo não dorme. E não me grama, também.

Há dias, estão vocês, que não passam sem estas maravilhas que escrevo, carecas de saber, escrevi sobre o vício absurdo que se tornou o uso do telemóvel, entre outros aparelhos. Escrevi até ( num esquecimento negligente do velhinho "tem cuidado com o que desejas"), que iria minimizar este vício nem que tivesse que deixá-lo sossegado em casa. Vai daí, o Universo, aquele tipo a quem saí na rifa e que se farta de brincar comigo, não vai de modas e faz-me a vontade. Não, não fui eu que me esqueci, foi o tipo que me desviou a atenção com uma qualquer trampa e conseguiu fazer-me sair de casa despida. Sem telemóvel, portanto. E agora? Ideias? O que é que se faz um dia inteiro sem o telemóvel? Precisamente num dia em que chegarei bem mais tarde do que o normal, em que tenho 127 coisas para fazer antes, em que precisava de estar contactável e contactar. Uma pessoa não pode escrever uns disparates sem ser castigada. E agora? E todos nós sabemos que é nestes dias que recebemos um contacto importante, é nestes dias que o telemóvel não pára, cheio de boas notícias e de gente que não pode esperar mais um segundo para falar connosco. Pobre gente, já não sei se tenho mais pena vossa ou minha.
Não vamos sequer falar daquelas coisas que acontecem nestes dias. É nestes dias que os pneus do carro furam, é nestes dias que nos perdemos em qualquer lado e precisamos do GPS, é nestes dias, é nestes dias que ficamos presos horas no trânsito sem poder ligar a alguém ou fazer as pazes com o "Candy Crush". 

Vai ser um longo dia, minha gente. Honestamente, parece-me que desisto do plano de usar menos o telemóvel.

Se um de vocês, só um que seja, me disser que ainda consegue fazer a sua vida diária sem recorrer ao telemóvel, eu volto a pensar no assunto.

PS- Sim, para aqueles que ainda estão a pensar nisso, eu não sei mudar um pneu. Serei a loira à beira das lágrimas, na berma de uma qualquer estrada hoje. Soa mal, mas vocês percebem...

5 de novembro de 2013

A força da mente consegue tudo, consegue até correr.

Eu prometo que não me vou tornar numa daquelas pessoas que vos moem a cabeça com as vantagens de fazer desporto e que não falam de mais nada, e que vos esfregam na cara os resultados que vão vendo e que vos fazem sentir uns fracos (e balofos) que só estão bem sentados no sofá agarrados aos pacotes de batatas fritas e aos toblerone (quantos de vocês estão já a corar e a olhar para trás para confirmar que não estou aí??). Mas, e apesar de prometer isto tudo, uma coisa tenho de vos dizer e peço que acreditem nela, que eu não sou miúda para vos enganar : a nossa mente tem um poder que nada ultrapassa, porra! Eu, preguiçosa crónica, como sabem, há alguns meses resolvi olhar para o espelho de frente e perceber que se não fizesse nada, este corpo que ainda se vai aguentando apesar dos 34 anos no lombo e da alimentação só comparável com a de alguém a quem nunca ensinaram o que é alimentação, iria ceder. Literalmente. Descair, ficar flácido. De seguida chegou a saga da compra dos ténis. Depois, a saga do "arranjar motivação para calçá-los, de facto, e correr", inicialmente ultrapassada com o pensamento "já que gastaste dinheiro nesta porra, agora vais usá-los, minha menina!".
A coisa até nem ia mal, até ao dia em que percebi que, com esta mania de mudar as estações do ano, em breve teria de arranjar motivação para sair de casa de noite e correr. Mas mais, sair de casa de noite para correr, mesmo com chuva, que isto de exercitar o corpo deve ser constante. E isto fez-me acreditar, durante uns bons dias, que a veia desportista tinha morrido ali. No final do Verão.
Esta conversa toda é para vos dizer que, lá está e voltando ao titulo do post, está tudo na nossa mente. É a forma como pensamos que determina o que somos, o que fazemos, tudo. Parece um lugar comum, não parece? Pois não é, diz-vos a tipa mais preguiçosa que podem conhecer, depois de ter conseguido o feito de correr, já de noite e à chuva. Impensável, há uns tempos. É assim uma coisa simples para o comum dos mortais, bem sei, e muitos estarão a pensar "big deal", mas sim, para mim é uma vitória enorme e o suficiente para ter percebido que, como em tudo na vida, é a (maior ou menor) força de vontade que irá determinar a forma como a nossa vida se processa.

Faça sol ou faça chuva, CM correrá. E vocês, meus preguiçosos, façam o mesmo. Ou qualquer coisa parecida.


4 de novembro de 2013

A febre da tecnologia, ou como estamos perdidos da Silva.

Vamos beber um café com os amigos. Chegados à esplanada, ao café, ao bar, sentamo-nos, olhamos rapidamente para a ementa, fazemos o pedido, trocamos meia dúzia de palavras. Uns 5 minutos depois disto, se alguém olhar de novo para esta mesa, o que vai ver? Pessoas já absortas nos telemóveis. Até podemos estar a trocar impressões sobre um qualquer vídeo, uma mensagem, uma foto, notícia, mas o vício foi maior e recorremos ao telemóvel. Ao tablet. Ao portátil. À internet. O mesmo acontecerá durante um jantar. Um almoço. Durante uma ida ao cinema. Andamos, nós a generalidade - e estou a incluir-me, num corajoso mea culpa - completamente viciados, febris.

É difícil perceber como é que chegámos aqui. Como é que, em qualquer momento social das nossas vidas, na presença de amigos, família, companheiros, o que for, damos por nós a desfrutar mais das tecnlogias do que da companhia das pessoas. Não cheguei a este patamar, felizmente, mas tenho noção que, até eu - critica acérrima de quem num qualquer encontro puxa do telemóvel para fazer chamadas, enviar mensagens, consultar as últimas novidades, etc - já ouvi alguns reparos perfeitamente válidos quanto à utilização do telemóvel. É ainda mais difícil, hoje em dia, viajar no tempo e recuar até ao momento em que praticamente ninguém tinha telemóvel. Recordam-se, ainda que vagamente? Passavamos horas em conversas e em convívios, e isso bastava. Se, em determinados momento das nossas vidas - os mais novos não vão conseguir sequer imaginar esta realidade - vivemos tão bem sem estes aparelhos, como é que deixámos que passassem a fazer parte do nosso dia a dia de forma tão imperativa? Quantas horas conseguimos, por dia, passar sem recorrer a este aparelho? A um tablet? à internet? A este ritmo, chegará o dia em que as pessoas deixam de falar? Deixaremos de ouvir as vozes uns dos outros, para comunicar apenas através de aparelhos? Quem é que não tem um amigo, uma amiga, um parceiro, a quem apetece retirar o telemóvel das mãos e meter-lhe o pé em cima? Chegámos ao ponto de ser mal educados com os outros, com quem nos oferece o seu tempo, em prol deste vício. E isto não me agrada nada. No que me diz respeito, está tomada a decisão de reduzir esta utilização. Nem que para isso, e digo-vos isto com uma pequena onda de pânico a instalar-se, o deixe propositadamente em casa de vez em quando. Assim como numa espécie de castigo auto infligido.

Deixo-vos um vídeo que será familiar a muitos de nós. Infelizmente.