Tenho alguma dificuldade em pronunciar-me sobre o caso da criança de 5 anos que matou, acidentalmente, a irmã de 2, nos Estados Unidos. Costumo imaginar a dor da família, o desespero que se vive, uma vida que não volta. Neste caso, imagino até o que será crescer na pele desta criança de 5 anos, na culpa que certamente sentirá um dia. Não é meu hábito falar sem conhecer todos os pormenores, atirar pedras, julgar os outros. Tento não cair nesta tentação. Mas, neste caso, e mesmo esquecendo que podem existir pormenores que desconheço, a pergunta que faço é :
Quem, no seu perfeito juízo, oferece uma arma a uma criança de 5 anos? Que tipo de Pais oferecem armas a crianças, mesmo sendo armas que, aparentemente, são destinadas precisamente às crianças?
Cresci numa casa onde existem duas caçadeiras. O meu Pai (contra a minha vontade - assunto que gerou um sem fim de discussões entre nós), foi caçador durante anos. Precisamente por ser um risco, e mesmo estando as armas fora do meu alcance, sempre estiveram descarregadas. Nunca soube, sequer, onde estavam escondidos os cartuchos. Nem eu, nem o meu irmão.
E hoje em dia querem convencer-me que este tipo de brinquedo é normal? Foi a isto que chegámos. Um simples brinquedo já não chega. Tenho imensa pena, sim. Mas, neste caso, e lamento não ter discernimento para mais, apenas das crianças envolvidas.