Podem ver o vídeo aqui.
Hoje o post é sério, para variar um bocadinho. Está instalada a polémica ao redor do vídeo promocional de uma das Sociedades de Advogados deste País. Várias queixas terão sido apresentadas por outros colegas, quanto ao conteúdo do vídeo. Em causa estão, não só algumas das expressões utilizadas, como a imagem e postura das 5 Advogadas "protagonistas" do video.
Confesso que, quando ouvi falar desta polémica e respectivas queixas (ao que tudo indica, já em análise por parte do Conselho Deontológico da Ordem dos Advogados), desvalorizei o assunto. O meu primeiro pensamento foi que alguém teria tido uma ideia inovadora, logo criticada pelas mentes de quem não se lembrou dela antes e sabe que a concorrência nesta profissão é feroz. Ontem tive oportunidade de ver o vídeo (que aqui partilho) e estava errada. Efectivamente, algumas das expressões utilizadas (desde logo a "boutique"), são bastante desadequadas aos princípios pelos quais se pauta esta profissão. As imagens, que a início me pareceram banalissimas, ganham, lá mais para meio do vídeo, contornos de um trailler que poderia, perfeitamente, dizer respeito a um filme 007. Parece, de facto, existir ali um aproveitar dos atributos das protagonistas, o que não se coaduna com qualquer princípio deontológico desta profissão. As regras relativas à publicidade da Advocacia, são apertadissímas. Sempre foram. A conduta imposta aos advogados, quer na sua vida profissonal, quer na pessoal, é rigorosissima. Provavelmente, é nesta profissão que mais se misturam as duas posturas, sendo indissociáveis. Um dos princípios basilares é, desde logo, o decoro. E sim, parece-me que os limites foram um pocuo ultrapassados.
Se concordo com a rigidez dos princípios em vigor nos Estatutos da Ordem dos Advogados hoje em dia? Não. Há muito que deveria ter sido feita a sua revisão. Podem (e devem) ser aligeirados alguns deles, sem que com isso se desvirtue a profissão. Mas a questão aqui não é essa. Muitos têm defendido que estamos perante um caso de falso puritanismo, perante uma perseguição a esta Sociedade, perante espiritos que não evoluiram com a evolução da Sociedade e dos tempos. Mas também não é disso que se trata. Trata-se de princípios (regras, se lhe quiserem chamar) que estão em vigor e devem ser cumpridos, enquanto vigorarem. Por todos. Por toda a classe, neste caso. Quer se concorde com eles, que não se concorde.
